Controle da internet por governo gera novos protestos na Turquia

Policiais entraram em choque com manifestantes em Istambul (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Tropa de choque tentou expulsar manifestantes do centro de Istambul

Uma nova legislação que visa aumentar ainda mais o controle ao acesso à internet pelo governo gerou novos protestos em Istambul, na Turquia, neste sábado.

Os centenas manifestantes dispararam fogos de artifício, rojões, e atiraram pedras contra a polícia que respondeu com a ação da tropa de choque, canhões de água e gás lacrimogêneo.

A praça Taksim, no centro de Istambul e que já foi palco de ocupações e protestos violentos no ano passado, foi isolada pela polícia.

A nova onda de manifestações deste sábado foi desencadeada pela aprovação na semana passada, no Parlamento turco, de uma lei que dá ao governo o poder de bloquear sites sob a acusação de violação de privacidade e sem precisar da aprovação da Justiça do país.

O presidente turco, Abdullah Gul, está sob pressão para não sancionar a nova legislação e a oposição afirma que a lei é parte de uma tentativa de abafar o escândalo de corrupção que abalou o governo.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, rejeita as acusações de censura à internet e disse que a legislação vai fazer com que a web fique mais "segura e livre" no país.

Além de permitir que a autoridade de telecomunicações turca bloqueie sites sem precisar de uma decisão da Justiça, a lei também vai obrigar os provedores a manter dados dos usuários durante dois anos e disponibilizar estes dados para as autoridades.

O 'flagelo' do Twitter

O acesso à internet já é restrito na Turquia e milhares de sites são bloqueados.

O primeiro-ministro Erdogan é famoso por criticar a web, descrevendo o Twitter como "flagelo" e condenando as redes sociais, dizendo que elas são "a pior ameaça à sociedade".

O Twitter e o Facebook foram muito usados pelos manifestantes contra o governo para espalhar as informações durante a onda de protestos de 2013.

O país também foi abalado por um escândalo de corrupção em dezembro, com a prisão de um empresário próximo do primeiro-ministro e de mais três filhos de ministros.

Desde então, o governo de Erdogan já demitiu centenas de policiais e executivos de bancos e responsáveis pela regulamentação de empresas de telecomunicações e da televisão estatal.

Erdogan afirmou que o escândalo é uma tentativa do clérigo Fethullah Gulen, líder de um grupo islâmico e com influência na polícia e no judiciário, de tirá-lo do poder. O clérigo, que vive nos Estados Unidos, nega a acusação.

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