Brasil é 1º em mortes de jornalistas nas Américas, diz ONG

  • 12 fevereiro 2014
Jornalistas brasileiros. Foto: AP
Jornalistas no Rio fazem homenagem a cinegrafista morto em protesto

O Brasil se tornou o país com o maior número de jornalistas mortos nas Américas, segundo o relatório anual da organização Repórteres sem Fronteiras (RFS), com sede em Paris.

Com cinco jornalistas mortos no país em 2013, o Brasil passou o México (duas vítimas), considerado um "país muito mais perigoso (do que o Brasil)", diz o relatório.

A organização calcula que 114 jornalistas foram feridos desde junho de 2013 por conta dos protestos que tomaram conta do Brasil, no que a RSF chama de "primavera brasileira".

"A dura repressão policial que ocorreu no Brasil em 2013 também atingiu os profissionais da informação. Essa primavera brasileira provoca um forte questionamento em relação ao modelo midiático dominante e coloca em evidência os sinistros hábitos mantidos pela polícia militar desde a ditadura", afirma o relatório.

Para a organização, "mais de dois terços dos casos (de violência contra jornalistas nos protestos) são atribuídos às forças policiais".

Na segunda-feira, após o anúncio da morte do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, atingido por um rojão durante um protesto no Rio, a organização havia publicado um comunicado lamentando a "triste constatação dos ataques frequentes contra jornalistas nos protestos no Brasil".

Nesse comunicado, a RSF também pede para as autoridades brasileiras identificarem os responsáveis pela morte do cinegrafista e afirma que o Brasil deve tomar "medidas fortes" às vésperas da Copa do Mundo, quando haverá um grande número de jornalistas cobrindo os eventos esportivos e sociais no país.

O suspeito de acender o rojão que matou Andrade foi preso na Bahia na madrugada desta quarta-feira.

Ranking

O relatório anual da RSF estabelece o ranking de liberdade de imprensa no mundo. O Brasil caiu duas posições em relação à classificação anterior e passou a ocupar o 111° lugar em uma lista de 180 países.

"O domínio do crime organizado em certas regiões do Brasil torna arriscado o tratamento de temas como corrupção, drogas e tráfico de matérias-primas.

Segundo a organização, os jornalistas são intimidados por "máfias", mas também por autoridades, através do uso de processos judiciais.

A Finlândia mantém, pelo quarto ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking de liberdade de imprensa da RSF. No fim da lista está o que a organização chama de "trio infernal", formado por Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia, países onde a liberdade de imprensa seria "inexistente".

A Síria também está entre as últimas posições, no 177° lugar.

Os Estados Unidos são um dos países que mais caíram no ranking (13 posições, passando a ocupar o 46° lugar).

"Longe de áreas de conflitos, em países onde prevalece o estado de direito, o argumento de segurança é utilizado abusivamente para restringir a liberdade de informação", diz a RSF.

"A proteção da segurança nacional, evocada muito facilmente nos Estados Unidos, prevalece em relação às conquistas democráticas", afirma o relatório.

"Os Estados Unidos e o Brasil deveriam dar à liberdade de informação uma posição mais elevada, em termos de norma jurídica e de valores. A realidade, infelizmente, está longe disso", afirma o documento.

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