Quatro casos de crianças empreendedoras de sucesso

  • 13 fevereiro 2014
Leanne Archer em 2007 (foto: Gregory Archer) Direito de imagem Gregory Archer
Image caption Leanne Archer começou a misturar os ingredientes para seus produtos no porão de casa aos oito anos

Muitos acreditam que crianças não fazem muito além de jogar videogame, assistir televisão ou ir para a escola.

Mas, no artigo abaixo, jovens empreendedores de vários países explicam como começaram no mundo dos negócios.

Leanna Archer - a rainha dos produtos para cabelo

Leanna Archer, de Nova York, começou vendendo produtos para cabelos feitos em casa quando tinha apenas oito anos. Atualmente, a companhia Leanna's Inc. chega a vender até US$ 500 mil (cerca de RS 1,2 milhão) por ano. O primeiro produto foi baseado em uma receita de sua bisavó haitiana.

"Eu conhecia tanta gente que queria usar os mesmos produtos que eu estava usando no meu cabelo e isto me deu a ideia de fazer propaganda do produto", disse Leanna.

Ela passou a distribuir amostras grátis para conhecidos.

Direito de imagem Gregory Archer
Image caption Em sua crescente linha de produtos para cabelo, Leanne usa apenas produtos naturais

"Depois que eles usaram e gostaram, vieram me perguntar: 'Quer saber, tenho US$ 20 (R$ 48), quanto daquele produto posso comprar?' E foi daí que veio a ideia do negócio", afirmou.

Ela começou a misturar os ingredientes no porão da casa, sozinha. Agora são oito pessoas envolvidas e Leanna espera expandir o negócio e sair do porão de casa ainda em 2014.

Um dos grandes desafios de Leanna é ser levada a sério.

"Quando fui ficando mais velha, as pessoas começaram a perceber que isto não era só uma fase, era algo em que eu estava trabalhando e desenvolvendo e eu era a força motriz por trás disso."

Leanna Archer agora tem 18 anos e estuda ciência política na universidade. Ela quer que outros jovens saibam que "tudo parece ser impossível até ser feito". "Se você descobrir algo que desperta sua paixão, vá atrás", recomendou.

Anshul Samar - gênio da química

Anshul Samar tinha 12 anos quando teve a ideia de transformar o aprendizado de química em algo mais divertido. Nos dois anos seguintes, o estudante da Califórnia desenvolveu um jogo de cartas, chamado "Elementeo", sobre os elementos da tabela periódica.

Direito de imagem Vipin Samar
Image caption 'Você nunca é jovem demais para pegar sua ideia e transformar em algo legal', disse Anshul Samar

O jogo começou a ser vendido quando Samar tinha 14 anos. Inicialmente ele fez 5 mil jogos, que esgotaram rapidamente. Desde então, ele produziu uma versão atualizada e já desenvolveu a versão em aplicativo para o jogo.

"Desde o começo quis transformar (o jogo) em algo grande", disse.

Aos 13 anos, Samar sofria de uma doença pulmonar rara, mas isto não o atrapalhou.

"Enquanto eu estava na cama, perdi muitas aulas. Aquele foi o tempo que usei para desenvolver o 'Elementeo'."

Quando era criança ele sentiu que não tinha nada a perder.

"Mesmo se algo não der certo, você ainda tem seu skate na garagem e a escola para ir no dia seguinte, as coisas simplesmente continuam", afirmou.

O criador do jogo contou que teve muito apoio da comunidade.

"Teve um grupo que me deu uma pequena verba de US$ 500 (cerca de R$ 1,2 mil)... Esta realmente foi a minha inspiração. Alguém de fora disse 'Ei, mesmo se você for só um garoto, nós acreditamos em sua paixão e acreditamos na sua ideia'", afirmou.

Samar agora cursa a Universidade de Stanford.

"O estudo é minha primeira prioridade e sempre foi. Coisas como o 'Elementeo' são apenas diversão e o aprendizado tende a se equilibrar (com todo o resto)", disse.

Ludwick Marishane - hora do banho

Quando o sul-africano Ludwick Marishane (à esquerda, na foto) tinha 17 anos, teve a ideia do DryBath, um gel de limpeza para substituir água e sabão.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Ludwick Marishane (esq.) demonstrou seu produto em eventos na África do Sul (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele passou os últimos seis anos desenvolvendo o produto e conseguiu dinheiro participando de competições no setor de negócios. Agora o gel está à venda e Marishane já ganhou outros prêmios com o produto.

"Você precisa pensar nas pessoas que tomam banho de balde. Este é o banho que me manteve limpo e é a forma pela qual quase metade do mundo se limpa", disse.

"A água (no balde) fica cheia de espuma, portanto fica muito difícil enxaguar. Você precisa se ajoelhar, é um jeito muito indigno de se limpar", afirmou.

Mas, segundo Marishane, o DryBath muda isso: basta espalhar o gel no corpo e esfregar. "Se você estiver muito sujo, com lama, poeira na pele, você pode limpar com um pano úmido e estará limpo."

Marishane conta que seu pai o ensinou a ficar mais resistente às críticas e reações negativas ao produto.

"Todas as vezes que tentei fazer algo, foi ele quem me deu as respostas mais críticas. Aprendi desde muito cedo a não levar as reações para o lado pessoal, principalmente se forem negativas. Apenas aceitar o que é, trabalhar e melhorar", afirmou.

Ilwad Elman - empreendedora social

Direito de imagem Nina Warsame
Image caption Ilwad Elman afirma ter ajudado 1,6 mil mulheres com a organização 'Sister Somalia'

Ilwad Elman nasceu na Somália e passou a infância no Canadá. A família foi para o país depois que o pai foi assassinado, quando Ilwad tinha apenas três anos.

Quando tinha 19 anos, Ilwad decidiu voltar para Mogadíscio.

"Havia apenas quatro bairros controlados pelo governo. O resto tinha sido tomado pelo (grupo terrorista) al-Shabab, então os tiroteios estavam literalmente no meu quintal", disse.

Ilwad se transformou em uma empreendedora social trabalhando com a mãe para estabelecer a Sister Somalia, uma organização que fornece aconselhamento, serviços médicos, educação e ajuda para iniciar negócios, principalmente para mulheres que sofreram algum tipo de violência sexual.

Ela afirma que ajudou 1,6 mil mulheres a estabelecerem seus negócios, incluindo lojas, empresas de encomendas e companhias de importação de alimentos. Ilwan afirma que também ajudou muitos ex-combatentes a começarem uma nova vida.

"Foi muito difícil para algumas pessoas ver uma jovem em uma posição de liderança... Algumas pessoas até abandonaram reuniões só porque não conseguiam lidar com a ideia de uma jovem tentando passar esta mensagem", disse.

"Há vida além das balas... as pessoas são muito empreendedoras, são muito motivadas e há oportunidade para mudança", disse.

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