EUA, Reino Unido e França acusam Assad por fracasso nas negociações de paz

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Image caption Em 3 anos de guerrra, 140 mil pessoas morreram e 9,5 milhões foram obrigadas a fugir

Após uma nova rodada de negociações de paz sobre a Síria terminar sem nenhum avanço concreto, os governos dos Estados Unidos, França e Reino Unidos acusaram o regime do presidente sírio Bashar al-Assad de travar as discussões em Genebra.

“Nenhum de nós está surpreso por as negociações estarem sendo complicadas. Estamos em um momento difícil. Mas todos nós deveríamos concordar que a obstrução por parte do regime de Assad tem tornado ainda mais difícil obter algum progresso”, disse o secretário americano de Estado, John Kerry.

Segundo ele, o governo bloqueia as discussões ao mesmo tempo em que intensifica os ataques contra a população, seja com bombas ou a obrigá-los a morrer de fome.

“Não há recesso no sofrimento do povo sírio. Por isso, as partes envolvidas e a comunidade internacional precisam usar esse recesso em Genebra para determinar qual a melhor maneira de usarmos esse tempo para encontra uma solução política para essa horrenda guerra civil.”

Os debates chegaram ao fim após os negociadores do governo se recusarem a discutir sobre a formação de um governo transitório.

Kerry pediu aos apoiam o regime de Assad para que o pressionem para que haja a criação de um governo de transição e fez um alerta, dizendo que eles terão de lidar com as responsabilidades “se o governo continuar com sua intransigência nas negociações e com suas táticas brutais no front.”

Sem data

Os debates que foram finalizados abruptamente neste sábado eram a segunda rodada das negociações de paz.

A primeira aconteceu em janeiro, também em Genebra, e teve como principal desfecho um acordo sobre um cessar-fogo na cidade de Homs, para que os civis que estava há meses cercados pudessem ser retirados.

Os tópicos para o terceiro round de negociações já foram definidos, mas ainda não há data marcada para que ele ocorra.

O fracasso nas negociações também foi criticado pelo ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague:

“A responsabilidade por isso (a suspensão nas negociações) recai totalmente sobre o regime Assad”, disse o chanceler, acrescentando que o impasse se deu por Damasco se opor à formação de um governo de transição.

O chanceler francês, Laurent Fabius, disse que o governo sírio “bloqueou qualquer progresso na tentativa de se criar um órgão de transição e ampliou seus atos de terror contra a população civil.”.

Já o principal negociador do governo sírio, Bahsar al-Jaafari, disse que o terrorismo (como o regime de Assad costuma descrever as ações dos rebeldes) precisa ser amplamente discutido antes de se tratar de qualquer outro ponto.

Pedido de desculpas

O mediador da ONU para o conflito sírio, Lakdar Brahimi, se desculpou aos sírios pelo fracasso das negociações.

Segundo Imogem Foulkes, correspondente da BBC em Genebra, toda a frustração do mediador ficou clara quando ele descreveu a fixação tanto do governo como da oposição por seus “assuntos de estimação”.

Os opositores sempre insistiram que o um governo de transição deva ser discutido, enquanto o regime quer falar sobre violência e terrorismo.

“A discussão sobre esses dois temas tem impedido as partes de discutirem qualquer outra coisa: até sobre pequenas medidas que poderiam levar algum alívio para o povo Sírio”, diz Foulkes.

Enquanto o impasse perdura, os conflitos continuam na Síria, onde há relatos de ataques neste domingo na cidade de Yabroud, na fronteira com o Líbano.

Mais de 140 mil pessoas já morreram na guerra síria, desde seu início, em 2011. Mais de 5 mil foram mortas desde o início das negociações de paz, em 22 de janeiro, segundo um grupo de monitoramento do conflito.

A ONU afirma que 9,5 milhões de sírios foram obrigadas a fugir.

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