Ucrânia vive outro dia de protestos sangrentos e com mortes

Protesto em Kiev (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Manifestantes em Kiev entraram em choque com a polícia

Os protestos que se arrastam há mais de dois meses na Ucrânia ganharam outro capítulo trágico, com a morte de pelo menos sete manifestantes na capital, Kiev.

Dezenas ficaram feridos nos confrontos com a polícia, os mais violentos das últimas semanas. As forças de segurança do país deram aos manifestantes um prazo até o as 18h (hora local, 13h horário de Brasília) para encerrar o protesto ou enfrentar a ação policial.

Dezenas de milhares de pessoas estão participando das manifestações e a multidão também conseguiu entrar na sede do partido do governo, que acabou incendiado.

A polícia, por sua vez, disparou balas de borracha e atirou bombas para tentar evitar que os manifestantes chegassem ao Parlamento, onde os políticos do país devem discutir mudanças na Constituição.

Um dos mortos foi encontrado em um cômodo consumido pelas chamadas na sede do governo. O corpo de outras três vítimas estavam em um prédio próximo ao Parlamento. Outros três corpos foram encontrados nas ruas.

As propostas de mudança a serem debatidas no Parlamento iriam restaurar a Constituição de 2004 e diminuir os poderes do presidente Viktor Yanukovych, mas a oposição, que exige as mudanças, afirma que foi impedida de submeter sua proposta à votação.

O país vinha passando por um período de calma relativa, mas as manifestações violentas foram retomadas nesta terça-feira.

Aproximação com a Rússia

As manifestações começaram em novembro, quando o presidente, Viktor Yanukovich, decidiu não assinar um acordo de cooperação com a União Europeia, em favor de uma aproximação econômica com a Rússia.

Os confrontos diminuíram depois que os manifestantes saíram dos prédios oficiais que estavam ocupando, e após o governo garantiu que iria dar anistia a todos.

Mas os acampamentos de protesto continuaram nas ruas de Kiev e a oposição continuou a exigir a renúncia do presidente.

Em janeiro, os protestos ficaram ainda mais violentos na capital, quando o governo adotou novas leis com o objetivo de frear as manifestações.

Nesta terça-feira, dezenas de milhares de pessoas tentaram chegar até o prédio do Parlamento, que já estava cercado por carros de polícia. Os manifestantes reagiram atirando pedras e os confrontos começaram.

Segundo a agência de notícias Reuters, o Ministério do Exterior da Rússia afirmou que os últimos episódios de violência na Ucrânia são "resultado direto da conivência dos políticos ocidentais e das estruturas da Europa que fecharam os olhos... para as ações agressivas de forças radicais".

O governo da Rússia quer que a Ucrânia se junte a uma união aduaneira que diminuiria as barreiras comerciais entre os dois países. Cazaquistão e Belarus já fazem parte deste bloco.

Rússia e União Europeia se acusam mutuamente de interferência na política interna da Ucrânia.

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