Atleta ucraniana desiste da Olimpíada para 'ser cidadã' e protestar

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Image caption "Não vou competir mais, porque tem algo horrível acontecendo no meu país", disse Bogdana

A tensão dos protestos na Ucrânia atravessou as fronteiras e chegou até Sochi, onde acontecem os Jogos Olímpicos de Inverno. Na quinta-feira, a equiadora ucraniana Bogdana Matsotska anunciou que não participaria mais da competição e retornaria à Ucrânia para participar dos protestos.

"Não vou competir mais, porque tem algo horrível acontecendo no meu país, não só em Kiev, mas em todo o país. Pessoas estão guerreando, muita gente está morrendo", disse Bogdana, ainda em terras russas, ao repórter Alan Capstick, da BBC.

"É uma decisão difícil, mas nesse momento, eu não quero mais ser uma atleta olímpica, eu quero ser uma cidadã no meu país."

Bogdana disse que só poderá voltar à Ucrânia na segunda-feira, por causa da falta de voos disponiveis, e que pretende se justar aos manifestantes na Praça da Independência, em Kiev. Enquanto isso, ela diz já estar na Praça, "mas só com minha alma", de acordo com declaração reproduzida pela agência de notícias Associated Press.

Ela já participou de duas disciplinas do esqui nos Jogos de Sochi e desistiu de competir justamente no Slalom, sua especialidade. A esquiadora estava disputando os Jogos Olímpicos de Inverno pela segunda vez na carreira e foi a única atleta ucraniana até agora a desistir da competição por causa da tensão política.

Desespero

"É uma discussão muito dificil, nós treinamos muito para isso, essa é a minha melhor disciplina, eu já competi duas, mas com o que esta acontecendo na Ucrânia eu não posso fazer parte da equipe olímpica aqui, eu tenho que estar com as pessoas que estão lá nas ruas", afirmou à BBC.

"Eu treinei muito para competir, acho que fiz um bom trabalho, estou orgulhosa do que fiz, mas depois que as coisas lá pioraram, eu não posso pensar em competir quando as pessoas estão lutando e morrendo para melhorar meu país."

A disputa do Slalom aconteceria nesta sexta-feira. A esquiadora conta que tem sido desesperador para ela e o pai, seu técnico, conversar com a família em Kiev – onde tem acontecido os violentos protestos – e ouvir os relatos do que tem acontecido por lá.

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Image caption Tensão política na Ucrânia fez esquiadora desistir de competir em Sochi

"Eu mandei mensagem para minha família e meus amigos perguntando se estava tudo bem. Eu quero ir para lá para ficar com eles. Eu ligo para minha mãe e ela está chorando por tudo o que está acontecendo lá."

Comitê Olímpico

Na entrevista à BBC, Bogdana Matsotska também revelou que o Comitê Olímpico Internacional (COI) tentou persuadi-la a continuar nos Jogos de Sochi quando ela revelou que deixaria de competir por conta dos protestos na Ucrânia.

"Eles (COI) querem paz e não querem participar dessas coisas políticas. O comitê olímpico queria que eu ficasse, mas disse que eu queria ir embora e eles respeitaram minha decisão."

Segundo Bogdana, os atletas ucranianos queriam utilizar uma braçadeira preta em luto e protesto pelas mortes que aconteceram no país durante os últimos protestos. O Comitê Olímpico, porém, não permitiu, e a equipe ficou com medo de sofrer sanções por conta da atitude.

"O Comitê Olímpico Internacional nao deixou a gente usar por causa de motivo político, porque os Jogos Olímpicos não são políticos, eles são esportivos. Poderíamos ser eliminados se usássemos (a braçadeira preta)", explicou.

A delegação da Ucrânia em Sochi é formada por 45 atletas. Nenhum deles, exceto Bogdana Matsotska, desistiu de participar do torneio para voltar ao país até agora. "Os outros atletas respeitam minha decisão e eu respeito a deles", disse.

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