Com presença de Dilma e Bento 16, papa cria 19 novos cardeais

O papa Franciso e o papa emérito Bento 16 Direito de imagem AFP
Image caption Papa emérito Bento 16 participou da cerimônia

Com a presença da presidente Dilma Rousseff e do papa emérito Bento 16, uma cerimônia na Basílica de São Pedro, no Vaticano, criou 19 novos cardeais, entre eles o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta.

Essas foram as primeiras nomeações de cardeais feitas pelo papa Francisco.

Os cardeais, conhecido como “os príncipes da Igreja”, são os mais altos dignitários da instituição depois do pontífice.

Segundo dados da Santa Sé, há 199 cardeais no colégio cardinalício – 2 foram nomeados por Paulo 6º, 116 por João Paulo 2º e 81 por Bento 16.

A estes se juntarão os 19 apontados por Francisco, vindos de 12 países – cinco deles da América Latina e do Caribe.

Com dom Orani, o número de cardeais brasileiros sobe para dez.

Apenas os cardeais com menos de 80 anos participam da escolha do papa. Com os 16 cardeais nessa faixa entre os 19 criados neste sábado, o número de cardeais eleitores sobe para 122.

Entre os novos cardeais não-eleitores está o italiano Dom Loris Capovilla, de 98 anos. Ele foi secretário pessoal do papa João Paulo 2º, que será canonizado em abril.

Vermelho vivo

Durante a cerimônia, fortememente marcada por rituais simbólicos, os novos cardeais receberam do papa o barrete (chapéu) e o anel cardinalícios.

O vermelho vivo do barrete e das túnicas usadas pelos cardeais, segundo o site da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB), “tem sido tradicionalmente visto como um sinal de seu compromisso de defender o rebanho de Cristo até o derramamento de seu sangue (cf. Discurso de Bento 16, na audiência com os novos cardeais, familiares e fiéis, em 26 de novembro de 2012)”.

Os cardeais têm a função de eleger o papa e aconselhá-lo em várias questões, seja no Vaticano ou em ministérios em todo o mundo.

Analistas dizem que a criação de cardeais de lugares como Haiti e Burkina Faso reflete o compromisso do Papa argentino aos pobres.

Para David Willey, correspondente da BBC em Roma, as nomeações do papa Francisco estão sendo vistas como um claro sinal de disposição em compartilhar a tomada de decisões na igreja.

Segundo o correspondente, o papa está incentivando os cardeais - antigos e novos - a pensar de forma aberta na formulação de novas políticas para a Igreja Católica.

Os novos cardeais se juntarão aos mais de 100 no Colégio Cardinalício, que se reúne em sessão plenária a portas fechadas no Vaticano, já há dois dias.

Image caption Dois cardeais - o da direita, o nigeriano John Onaiyekom - indo a pé para a cerimônia no Vaticano

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