Expurgo de senadores expõe racha em partido de comediante italiano

Beppe Grillo (foto: Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Partido de cômico italiano está perdendo popularidade após racha e expulsão de senadores

Um ano depois de ter recebido mais de um quarto dos votos nas eleições gerais de 2013, o partido de protesto Cinco Estrelas, liderado pelo comediante Beppe Grillo, passa por uma fase delicada: a expulsão de vários senadores está causando polêmica e expondo um racha na agremiação política.

Em março de 2013, o partido de Beppe Grillo levou 25,5% dos votos e se tornou da noite para o dia uma das maiores forças políticas na Câmara e no Senado. Desde então, o Movimento Cinco Estrelas inovou na política, transmitindo todas as reuniões ao vivo na internet e deixando a base partidária votar via web.

No entanto, um ano depois, a expulsão de vários senadores está causando polêmica e mostrando um possível racha no partido. A bancada do movimento no Senado foi reduzida de 54 a 41 representantes, depois que quatro senadores deixaram o movimento e nove foram expulsos.

Na primeira expulsão de quatro senadores, no fim do mês passado, Grillo pediu aos membros para votarem via internet a favor ou contra a medida. A última expulsão de mais cinco senadores, no começo deste mês, foi anunciada sumariamente pelo líder do movimento através de um post na internet.

"Bencini, Bignami, Casaletto, Mussini e Romani estão fora do M5S", declarou Beppe Grillo em seu blog. Os senadores já tinham pedido demissão em protesto às expulsões dos colegas e estariam "isolados", não podendo mais representar o movimento, afirmou Grillo.

As baixas no Senado, que ao todo conta com 315 assentos, mostram que nem todos os parlamentares querem seguir a linha de Grillo, que se recusa veementemente a colaborar com outros partidos.

O líder chegou a se encontrar com o atual premiê Matteo Renzi, do Partido Democrático, para conversar sobre uma possível cooperação, depois que a base partidária votou a favor, pela internet, a favor do encontro. O encontro só durou poucos minutos e acabou em uma discussão acalorada.

Intransigência

Beppe Grillo, que não tem nenhum cargo parlamentar, está sendo criticado por adversários políticos por ser autoritário. "O problema não é o instrumento da expulsão dos senadores", disse Marco Travaglio, comentarista político do jornal Il Fatto Quotidiano. "O problema é o modo como foram expulsos, que é antidemocrático."

Grillo diz que nenhum outro partido é tão transparente como o M5S.

O ex-senador Fabrizio Bocchino, um dos primeiros quatro expulsos, declarou em uma entrevista que as vítimas do expurgo nem ficaram sabendo o porquê de suas expulsões. "Só podemos supor que a causa foi um comunicado em que criticávamos de maneira moderada o modo como a reunião de Grillo com Renzi foi levada avante", disse.

Na época, a razão dada pelo Cinco Estrelas foi de que os membros foram expulsos por se colocarem contra a linha gerais do partido.

O Movimento Cinco Estrelas ainda conta com um grande respaldo popular. Principalmente os eleitores jovens vêem o partido como uma opção moderna de fazer política, contrastante com o modo de agir dos outros partidos tradicionais de esquerda e direita que, segundo Beppe Grillo, "afundaram o país na últimas décadas".

No entanto a popularidade do movimento pode estar sofrendo com as novas polêmicas: segundo uma pesquisa de opinião da televisão italiana RAI divulgada nesta semana, só 22% dos eleitores votariam atualmente no M5S – uma queda de 1,5 pontos em comparação aos resultados do mês anterior.

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