Desemprego de longo prazo dobrou em países desenvolvidos, diz estudo

  • 18 março 2014
Fila na frente de centro de empregos na Espanha (AP) Image copyright AP
Image caption Em países como Espanha, mais pessoas vivem em lares onde ninguém recebe renda profissional

O número de desempregados que estão no mínimo há um ano sem trabalho dobrou nos países desenvolvidos nos últimos 5 anos, após o início da crise financeira mundial, e já atinge 17 milhões de pessoas, afirma um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta terça-feira.

O relatório Panorama da Sociedade 2014 analisa o impacto da crise econômica na vida das populações por meio de uma série de indicadores, como emprego, renda, pobreza, saúde, imigração e demografia.

"A tormenta financeira de 2007 e 2008 provocou não apenas uma crise econômica e orçamentária, mas também uma crise social", diz o estudo.

Desde 2007, há 15 milhões de desempregados a mais nos países da OCDE, totalizando, atualmente, 48 milhões de pessoas.

Mais de um terço delas (17 milhões) estão sem trabalho há pelo menos um ano, o que a organização define como "desempregados por longo prazo".

Preocupante

Para a OCDE, esse total de pessoas sem emprego por um longo período é preocupante.

"Com um número cada vez maior de pessoas sem experiência profissional recente, com competências que se desvalorizam e que as empresas têm reticências em contratar, as fileiras de desempregados desencorajados, que não procuram mais ativamente um trabalho, não param de aumentar", diz o estudo.

"Com o prolongamento da duração do desemprego é muito mais difícil converter uma retomada econômica hesitante em uma recuperação efetiva da economia que permite criar empregos", afirma a organização.

"O desemprego, particularmente o de longo prazo, pode prejudicar as perspectivas de carreiras futuras e pesar na saúde mental das pessoas, além de aumentar os custos sociais", diz o relatório.

Em três países da zona do euro – Espanha, Grécia e Irlanda – o número de pessoas que vivem em lares onde ninguém recebe renda decorrente de atividades profissionais dobrou nos últimos cinco anos.

A taxa média de desemprego na OCDE aumentou em três pontos percentuais entre meados de 2007 e meados de 2013, totalizando 9,1%.

A Espanha e a Grécia registraram uma alta de 18 pontos percentuais no período, diz o estudo.

Espanha, Estados Unidos e Irlanda são os países onde mais cresceu a proporção de pessoas sem emprego há no mínimo um ano em relação ao total de desempregados. Na Irlanda, esse aumento chega a 30 pontos percentuais.

Já no Brasil, a taxa de desemprego caiu de 9,3% em 2007 para 7,4% em meados de 2013, segundo dados do IBGE.

Jovens

Os jovens, homens e pessoas com pouca qualificação profissional são os mais afetados pela deterioração do mercado de trabalho nos países da OCDE.

A taxa de desemprego de jovens entre 15 e 24 anos aumentou 7 pontos percentuais entre 2007 e 2013 nos países da OCDE. Em países como Grécia, Espanha e Portugal, o desemprego dos jovens aumentou pelo menos 20 pontos percentuais no período.

"Os jovens que enfrentam longos períodos de desemprego ou pobreza correm o risco de serem confrontados durante toda a vida a perspectivas profissionais e de renda menores", afirma Angel Gurría, secretário-geral da OCDE.

"Hoje, mesmo se a situação econômica dá sinais de retomada, a situação social, ao contrário, não melhorou e continua se deteriorando, em alguns casos fortemente", afirma Gurría no estudo.

"Há cada vez mais pessoas que declaram ter dificuldades para enfrentar as despesas do dia a dia, tendência observada em 26 países da OCDE desde 2007", diz ele.

"As consequências sociais da crise poderão perdurar vários anos", afirma o estudo.

Segundo a OCDE, o desemprego e a redução da renda têm outras consequências sociais, como a saúde, a formação de uma família, a fecundidade (casais que adiam a decisão de ter filhos), o que pode agravar os problemas demográficos e de financiamento das aposentadorias ligados ao envelhecimento das populações.

Mas esses efeitos, ressalta a organização, somente serão sentidos a longo prazo.

"A prioridade hoje é que as políticas sociais possam resistir à crise, ou seja, estejam aptas para enfrentar as piores situações causadas pela economia mundial", diz Gurría, secretário-geral da OCDE.

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