Putin reconhece Crimeia como 'Estado soberano e independente'

Vladimir Putin (BBC)
Image caption Decreto de Putin foi emitido 'em consideração à vontade expressa do povo da Crimeia no referendo geral'

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou nesta segunda-feira um decreto em que reconhece a Crimeia "como um Estado soberano e independente", depois de a península no Mar Negro ter aprovado, em referendo, sua secessão da Ucrânia.

O decreto, divulgado pelo site oficial do Kremlin, diz que a decisão da Federação Russa se dá “em consideração à vontade expressa do povo da Crimeia no referendo geral realizado em 16 de março de 2014” de domingo, quando, segundo as autoridades locais, 97% dos eleitores apoiaram sua separação da Ucrânia e sua união à Rússia.

O documento também diz que passa a valer do momento que foi assinado, com o horário assinalado de 22h30, hora de Moscou (15h30, hora de Brasília).

Antes, reagindo ao resultado do referendo, o Parlamento da Crimeia formalizara a independência da Ucrânia e o pedido de anexação à Federação Russa.

Na terça-feira, Putin deve fazer um pronunciamento ao Parlamento russo em que deve abordar a crise na Ucrânia e a decisão dos EUA e da União Europeia de impor sanções a autoridades do país e da Ucrânia por seu apoio ao referendo.

Sanções

As sanções europeias foram anunciadas após uma reunião em Bruxelas entre os ministros das relações exteriores dos países da UE.

Entre seus alvos, estão 21 autoridades russas e ucranianas, que terão seus bens congelados e sofrerão restrições a viagens no bloco, entre outras medidas.

A União Europeia já havia suspendido negociações com a Rússia sobre um pacto econômico e sobre a redução de restrições à concessão de vistos.

Nos Estados Unidos, as autoridades anunciaram o congelamento dos bens de sete russos, incluindo conselheiros do presidente Vladimir Putin, e quatro ucranianos – entre eles o presidente afastado da Ucrânia, Viktor Yanukovich.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a decisão de seu país irá “elevar os custos” para a Rússia por seu envolvimento na crise na Ucrânia e advertiu que outras pessoas poderão sofrer represálias.

“Se a Rússia continuar interferindo na Ucrânia, nós estamos prontos para adotar mais sanções”, disse o presidente, que salientou que ainda acredita que uma solução diplomática para a crise pode ser encontrada.

Diferentemente dos EUA, a União Europeia ainda não divulgou os nomes das autoridades que serão alvo das sanções, mas todos teriam tido um papel crucial no referendo de domingo.

Cinco meses de crise

Image caption Em referendo, 97% dos eleitores apoiaram separação, dizem autoridades da Crimeia

O referendo e seu reconhecimento pela Rússia são os mais novos desdobramentos da crise que já dura cinco meses.

Seu estopim veio em novembro do ano passado, na Ucrânia, quando o governo passou a enfrentar fortes protestos após interromper negociações por uma maior integração com a União Europeia.

Após a queda do presidente ucraniano pró-Moscou Viktor Yanukovych, em fevereiro, forças partidárias da Rússia tomaram o controle da Crimeia. O governo russo afirma que os soldados não estão sob o controle do país e são apenas forças de autodefesa.

Tanto os Estados Unidos quanto a União Européia consideram o referendo ilegal. A Rússia, por outro lado, afirma que a votação atendeu às leis internacionais. Ainda segundo as autoridades locais, 83% dos eleitores participaram do pleito.

O governo da Ucrânia afirmou que também não reconhecerá os resultados do referendo. O presidente em exercício do país, Oleksander Turchynov, disse estar disposto a negociar com a Rússia, mas que nunca aceitará a anexação da Crimeia.

O governo em Kiev convocou seu embaixador em Moscou para debater os novos desdobramentos da crise, enquanto o Parlamento ucraniano aprovou nesta segunda-feira a mobilização de 40 mil reservistas e afirmou que está monitorando a situação na fronteira leste, com a Rússia.

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