Com bases militares e mais voos, governo descarta caos aéreo na Copa

Aeroporto de Brasília. Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Aeroportos brasileiros tiveram 'apagão aéreo' em 2006

O governo brasileiro descarta a possibilidade de um "caos aéreo" durante a Copa do Mundo e diz que uma combinação de maior oferta de voos, redução do turismo não relacionado ao evento, disponibilização de infraestrutura militar e uma "revisão estatística" poderá evitar problemas nos aeroportos brasileiros.

"Eu não vejo porque teríamos caos aéreo no Brasil. Não vejo o porquê desta profecia tão dantesca", disse o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, nesta terça-feira em entrevista a jornalistas em Londres.

Rebelo disse que a Agência Nacional de Aviação Civil está trabalhando para ampliar a oferta do número de voos regulares e charter durante o Mundial.

O ministro disse contar com uma diminuição natural no número de passageiros que evitam fazer turismo não relacionado à Copa do Mundo durante o período do campeonato.

"Os congressos, as feiras, os eventos, o turismo familiar – tudo isso se reduz muito durante eventos como a Copa do Mundo. As pessoas preferem ficar em casa, para acompanhar a Copa na sua cidade. O turismo vai ser mais o turismo da Copa – as pessoas viajando para ver os jogos."

Outro fator que deve aliviar o tráfego aéreo é o possível uso de infraestrutura militar para ajudar seleções e delegados a desembarcarem no Brasil.

"O governo brasileiro disponibiliza todos os aeroportos militares – e temos isso em grandes números – para auxiliar na operação aérea durante a Copa do Mundo. Por exemplo, a recepção das delegações, a assistência da alfândega, Polícia Federal e retirar dos aeroportos civis esse foco de tensão."

'Revisão estatística'

Rebelo disse que, em número absoluto de turistas, a Copa do Mundo não é um evento maior do que o Carnaval, realizado no começo do mês.

A projeção do governo é de que o Brasil atrairia 3,6 milhões de turistas durante a Copa do Mundo – 3 milhões de brasileiros viajando internamente e 600 mil estrangeiros chegando ao país. Segundo Rebelo, só durante os dias do Carnaval, três cidades brasileiras – Rio de Janeiro, Salvador e Recife – receberam mais de seis milhões de visitantes.

Um terceiro fator que contribuiria para evitar um caos aéreo seria uma "revisão estatística", com aumento da oferta de assentos em voos durante o período da Copa do Mundo. Rebelo disse que, nos últimos dias, várias reservas de quartos de hotéis e de assentos de voos foram desbloqueadas por agências de turismo, liberando-as para o mercado.

Com isso, a taxa de ocupação durante a Copa caiu na rede hoteleira – em Natal, apenas 50% dos leitos estão ocupados durante a Copa. No Rio de Janeiro, a ocupação é de 90%. A expectativa do governo agora é que essa mesma "revisão estatística" ocorra nos voos durante a Copa, liberando mais assentos para quem procura.

No final de 2006, durante o episódio que ficou conhecido como "apagão aéreo", diversos aeroportos brasileiros enfrentaram cancelamentos de voos e grandes atrasos provocados por uma série de fatores - desde o número baixo de controladores de voos a problemas em equipamentos. O caos na época acabou provocando a queda do então ministro da Defesa, Waldir Pìres.

Protestos e atrasos

Durante sua passagem por Londres esta semana, o ministro dos Esportes separou espaço na sua agenda para falar sobre Copa do Mundo com jornalistas de veículos internacionais. Na segunda-feira, deu entrevistas individuais à BBC e aos jornais Guardian, Daily Telegraph e Financial Times.

O possível impacto dos protestos na Copa e os atrasos na entrega de obras para o mundial estiverem entre os assuntos mais abordados pelos jornalistas dos veículos estrangeiros.

Na terça-feira, durante coletiva com jornalistas na Embaixada do Brasil em Londres, Rebelo foi perguntado pelo jornalista do Daily Mail: "Nós conversamos em dezembro e o senhor disse que definitivamente todos os estádios teriam sido terminados até o final de janeiro. Agora estamos em março e o senhor está falando em maio. Por que deveríamos ter fé em qualquer coisa que o senhor diz agora, depois do que foi dito em dezembro?"

Rebelo disse que a Copa das Confederações foi um exemplo de como o Brasil conseguiu terminar tudo a tempo, mesmo com estádios tendo ficado prontos apenas alguns meses antes da estreia.

Ele também abordou cada um dos três estádios que ainda não foram inaugurados. Em São Paulo, ele disse que o Corinthians já tem 98% do estádio finalizado. Sobre a Arena Pantanal, em Cuiabá, o ministro disse que o jogo inaugural já está até com data marcada: 2 de abril, entre Santos e Mixto pela Copa do Brasil. Em Curitiba, Rebelo afirmou que fez vistorias pessoais e que os avanços são perceptíveis "a olho nu".

"A Copa não terá nenhum problema por conta desses estádios."

O jornalista do The Times perguntou se a realização de protestos e desordens durante o Mundial estaria condicionada ao desempenho da seleção brasileira em campo.

"Protestos e desordens são coisas diferentes. Protestos são um direito constitucional assegurado pela lei brasileira. A violência, a agressão, a destruição, ou até a morte – como a de um cinegrafista que ocorreu recentemente por um rojão lançado por manifestantes – isso a lei brasileira coíbe."

O jornalista do Financial Times perguntou por que o Brasil está sendo tão criticado pelos seus preparativos para a Copa do Mundo – seja por parte dos brasileiros ou da Fifa.

"O Brasil tem sido criticado severamente por alguns setores. Mas também teve seu esforço reconhecido. Creio que quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo, já havia nessa escolha um certo aval da sua capacidade."

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