Na China, parentes de passageiros do voo MH370 ameaçam fazer greve de fome

Parentes de passageiros chineses do voo MH370 (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Cresce a insatisfação entre os familiares de passageiros chineses, que eram maioria no voo MH370

Parentes de passageiros chineses do voo desaparecido da Malaysia Airlines ameaçaram fazer greve de fome se as autoridades malaias não fornecerem informações mais precisas sobre o caso.

Em uma reunião com a companhia área em Pequim, eles acusaram as autoridades de não revelarem tudo que sabem e exigiram mais transparência nas investigações.

O presidente da Malaysia Airlines, Ahmad Jauhari Yahy, disse em uma entrevista coletiva, na segunda-feira, que a empresa está fazendo tudo que pode pelas famílias dos passageiros.

"Só queremos a verdade", disse uma mulher. "Não deixem que os passageiros sejam vítimas de uma disputa política".

O voo MH370 desapareceu em 8 de março após decolar de Kuala Lumpur para Pequim com 239 pessoas a bordo. Entre elas, estavam 153 chineses.

Questões políticas

Um dos desdobramentos do caso é que o piloto da aeronave, o capitão Zaharie Shah, seria um simpatizante do líder da oposição malaia, Anwar Ibrahim.

Image caption O passado do piloto (esq.) está sendo investigado

Ibrahim foi condenado a cinco anos de prisão horas antes do voo desaparecer em 8 de março. O político foi acusado em 2008 de sodomia por ter se relacionado com outro homem. Atos homossexuais são ilegais na Malásia, um país de maioria muçulmana.

Quanto a isso, o ministro de Transportes do país, Hishammuddin Hussein, disse: "A busca pelo voo MH370 está acima de questões políticas".

Hussein ainda reiterou acreditar que o desaparecimento foi fruto de uma "ação deliberada".

Críticas na imprensa

Além da revolta de familiares, críticas à operação também foram feitas pela imprensa chinesa.

A China informou que atualmente usa 21 satélites para ajudar nas buscas e que está procurando pelo avião também em seu território.

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Image caption Mãe de passageiro chinês chora em reunião sobre as investigações do caso

Segundo declarou o embaixador chinês na Malásia, Huang Huikang, à agência de notícias Xinhua, o histórico dos passageiros chineses foram checados e nenhum deles parece ter ligações com terrorismo.

As autoridades ainda disseram que estão tentando limitar as buscas feitas pelos 25 países envolvidos a dois grandes corredores aéreos, o que consiste numa área de 7,68 mil km2.

Na Austrália, as autoridades marítimas informaram que seus esforços estão concentrados na parte sul do Oceano Índico com base em dados de satélite. Mesmo assim, a área é vasta, disseram as autoridades australianas.

Histórico

O avião da Malaysia Airlines deixou Kuala Lumpur à 0h40 do horário local.

A última transmissão do sistema ACARS (sigla em inglês para Aircraft Communications Addressing and Reporting System), que permite a troca de mensagens curtas e simples por meio de radar e satélite entre o avião e autoridades em solo, foi recebida às 1h07.

Uma nova transmissão deveria ter ocorrido 30 minutos depois, mas nada foi recebido.

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Image caption Força Aérea australiana concentra buscas no Oceano Índico

Recebidas à 1h19, enquanto a aeronave deixava o espaço aéreo malaio, as últimas palavras enviadas pela tripulação aos controladores de tráfego aéreo - "tudo bem, boa noite" - foram provavelmente ditas pelo copiloto Fariq Abdul Hamid, segundo informaram autoridades do país.

O avião desapareceu das telas de controle aéreo dois minutos depois, quando voava sobre o mar do sul da China, mas foi detectado por radares militares no Estreito de Malaca, na direção oposta a qual deveria estar.

Comunicações de satélite captadas às 8h11 indicam que o avião continuou a voar por mais sete horas depois de desaparecer.

Vários países já negaram que a aeronave tenha entrado em seu espaço aéreo.

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