Rússia e EUA adotam sanções; Moscou adverte contra 'impulso hostil'

O presidente norte-americano Barack Obama (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Ao anunciar as sanções, o presidente Barack Obama alertou sobre o crescente isolamento da Rússia

Estados Unidos e Rússia anunciaram nesta quinta-feira sanções mútuas em decorrência da crise desencadeada pela decisão russa de aceitar a península da Crimeia como parte do país.

O presidente americano, Barack Obama, anunciou sua segunda rodada de sanções punindo autoridades e um banco russos. Obama também assinou uma permissão para que o país imponha sanções a setores da economia russa.

Obama afirmou que os Estados Unidos observam com preocupação a situação no sul e no leste da Ucrânia. "A Rússia precisa saber que o agravamento da situação só deixa o país ainda mais isolado da comunidade internacional".

Ao mesmo tempo, líderes da União Europeia iniciaram um encontro em Bruxelas, na Bélgica, em meio a advertências de que pode adotar mais retaliações contra Moscou.

Por sua vez, Moscou anunciou suas primeiras sanções contra os EUA e disse que continuará reagindo ao que qualificou de "cada impulso hostil" do Ocidente.

Círculo interno

A Casa Branca disse que a nova leva de sanções foi imposta a 20 russos que têm interesses na Crimeia e pertencentes ao circulos de contatos próximo ao presidente russo, Vladimir Putin. Entre eles, estão o chefe de gabinete Sergei Ivanov e os magnatas Arkady Rotenberg e Gennady Timchenko.

O Banco Rossiya também foi alvo destas sanções por dar a apoio a autoridades do país, segundo afirmou o Tesouro americano.

As sanções envolvem restrições a transações comerciais e transações financeiras em dólar, além da imposição do congelamento de bens nos Estados Unidos.

A expectativa é que a União Europeia também anuncie que mais russos devem ser alvo de sanções.

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Image caption A chanceler alemã Angela Merkel tenta unificar o discurso de nações da União Europeia

A chanceler alemã Angela Merkel disse ao parlamento do seu país que a União Europeia está pronta para impor sanções econômicas à Rússia se a situação se agravar.

Em Bruxelas, Merkel afirmou a jornalistas que estava otimista quanto à habilidade nas nações do bloco em unificarem seu discurso quanto à crise na Crimeia.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram as primeiras sanções a cidadãos russos e ucranianos na segunda-feira, um dia depois de 97% dos cidadãos da Crimeia em um referendo sobre a anexação da Rússia.

Nessa primeira leva, os Estados Unidos congelaram bens e proibiram viagens de 11 indivíduos, enquanto a União Europeia fez o mesmo com 21 pessoas.

'Impulso hostil'

Em suas primeiras sanções retaliatórias, a Rússua puniu autoridades e políticos americanos com a proibição de entrada deles em território russo.

Entre os alvos estão alguns importantes congressistas - Harry Reid, John Boehner e John McCain - assim como um dos conselheiros presidenciais de segurança nacional, Benjamin Rhodes.

O porta-voz de Boehner disse que sentia "orgulho por ser incluído na lista daqueles que se opõem à agressão de Putin".

Em uma mensagem se referindo às sanções russas, o Ministério das Relações Exteriores em Moscou ressaltou que o país "advertiu repetidas vezes" que as sanções são "uma faca de dois gumes" e "iriam atingir os Estados Unidos como um bumerangue."

"É preciso que não haja dúvidas: nós vamos responder adequadamente a cada impulso hostil".

Antes do anúncio feito por Obama, o ministro de Relações Exteriores do país, Sergei Lavrov, havia descrito as possíveis como "ilegítimas" e "sem fundamento na lei internacional".

Lavrov fez essas declarações diante do parlamento russo, antes de uma votação sobre a anexação formal da Crimeia. Ele acrescentou que era necessário proteger a maioria dos habitantes formada por russos na península de "nacionalistas, antisemitas e outros extremistas dos quais dependem as autoridades ucranianas".

O referendo foi considerado ilegal pro Kiev e pelo Ocidente.

Após conversar com o presidente russo, o secretário-geral da Ucrânia, Ban Ki-moon, fez um apelo a todos os lados do conflito para não agirem de forma precipitada nem fazerem provocações e disse estar "profundamente preocupado com a situação atual".

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