Diplomatas de Ucrânia e Rússia têm 1º encontro em meio à crise

O chanceler russo, Sergei Lavrov, se reuniu com o ministro de relações exteriores ucraniano, Andriy Deshchytsia Direito de imagem Russian Foreign Ministry
Image caption Lavrov e Deshchytsia se reuniram em Haia durante um encontro sobre segurança

O chanceler russo, Sergei Lavrov, se reuniu com o ministro de relações exteriores ucraniano, Andriy Deshchytsia, pela primeira vez desde a intervenção russa na Crimeia que deflagrou a atual crise diplomática.

Membros do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) concordaram em cancelar uma reunião programada para acontecer na Rússia. Lavrov disse que a Rússia não se incomodava com a perspectiva de ser expulsa do G8.

Já o bloco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) divulgou um comunicado opondo-se a sanções contra a Rússia e sugerindo que o assunto seja discutido na ONU. Os países disseram que linguagem hostil, sanções e força não “contribuem para uma solução pacífica e sustentável”, segundo a agência Associated Press.

As ações ocorrem no momento em que tropas ucranianas deixam a Crimeia depois que forças russas capturaram suas bases na região.

Há pouco mais de dez dias, a Rússia anexou a Crimeia após um referendo considerado ilegal por Kiev e pelo Ocidente.

'Não é uma grande tragédia'

Lavrov encontrou-se com Deshchytsia, o chanceler interino da Ucrânia, durante um encontro sobre segurança em Haia nesta segunda-feira.

“Definimos nossa visão para estabelecer um bom diálogo nacional levando em conta todos os residentes da Ucrânia”, disse Lavrov durante uma entrevista.

Ele também disse que “não é uma grande tragédia” a possibilidade da Rússia ser excluída do G8 devido à anexação da península da Crimeia.

“Se nossos parceiros no Ocidente pensam que esse formato se excedeu, que seja. Ao menos não estamos agarrados a esse formato”, ele afirmou.

Os membros remanescentes do poderoso organismo confirmaram que a reunião do G8 programada para acontecer na Rússia foi cancelada devido à agressão contra a Ucrânia.

Diversos membros do G8 pediram que a Rússia seja suspensa do grupo.

O secretário de Estado americano John Kerry também se encontrou com Lavrov nesta segunda-feira e expressou “grande preocupação” sobre a grande concentração de tropas russas na fronteira ucraniana, segundo disse à agência Reuters uma autoridade do Departamento de Estado dos EUA.

Retirada militar

O presidente americano Barack Obama disse após os encontros que os Estados Unidos apoiam o governo ucraniano e seu povo.

Junto com o premiê holandês Mark Rutte, Obama disse que os EUA e a Europa estão “unidos para impor um custo à Rússia por suas ações (na Ucrânia) até agora”.

O presidente interino da Ucrânia Olexander Turchynov ordenou às suas tropas nesta segunda-feira que se retirem da Crimeia devido a “ameaças russas às vidas dos militares e seus familiares”.

O anúncio ocorreu logo depois que forças russas capturaram uma base naval em Feodosia – à última instalação militar que ainda estava sob controle da Ucrânia na região. Foi a terceira invasão do gênero em um período de 48 horas.

A anexação da Crimeia pela Rússia em 16 de março ocorreu após uma onda de protestos derrubar o presidente ucraniano pró-Kremlin, Viktor Yanukovych, em fevereiro.

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