Agência rebaixa nota do Brasil por crescimento baixo e 'deslize fiscal'

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Image caption Corte de nota pode levar à saída de investimentos

A agência de classificação de risco Standard & Poor's anunciou nesta segunda-feira o rebaixamento da nota da economia brasileira, de BBB para BBB-, refletindo "uma combinação de deslize fiscal, (...) baixo crescimento nos próximos anos, habilidade limitada em ajudar as políticas por conta da eleição presidencial e algum enfraquecimento nas contas externas do Brasil".

A nota ainda mantém o Brasil com o "grau de investimento" (chancela dada por agências de risco a países considerados seguros para investidores). Mas um eventual novo rebaixamento significaria a perda desse grau na avaliação da S&P. O país está, portanto, no limite.

Por enquanto, a perspectiva dada pela agência é "estável", o que indica que essa eventual redução futura não ocorrerá nos próximos meses.

O anúncio da S&P não causou surpresa nos mercados, já que, em junho do ano passado, a S&P já havia indicado que poderia cortar a nota de crédito do Brasil em decorrência do crescimento fraco e dos gastos do governo.

Segundo o economista André Pereira Perfeito, do Gradual Investimentos, o mercado já estava levando em conta a medida da S&P no preço dos ativos sendo negociados. "No entanto, podemos esperar certa realocação em alguns mercados na manhã de amanhã (terça), em especial (no valor do) dólar e de juros", afirmou.

Em nota a imprensa, o Ministério da Fazenda afirmou que o rebaixamento da nota do Brasil é "inconsistente" com as condições da economia brasileira e "contraditório" com a solidez e os fundamentos do Brasil.

O comunicado alega que no período da crise internacional iniciada em 2008 o Brasil cresceu 17,8%, "uma das maiores taxas acumuladas de crescimento entre os países do G-20".

Sobre o que a Standard & Poor's chamou de deslize fiscal, o governo rebateu que o Brasil tem gerado "um dos maiores superávits primários do mundo nos últimos 15 anos".

"Em 2013, cabe salientar, fizemos um superávit primário de 1,9% do PIB, suficiente para reduzir o endividamento público, tanto bruto (de 58,8% do PIB para 57,2% do PIB) quanto líquido (de 35,3% do PIB para 33,8% do PIB)".

Medida de confiança

A nota de risco indica a investidores estrangeiros o quanto a economia do país é confiável - se é seguro investir em seus títulos e qual o risco de um calote.

As notas, explica a Agência Brasil, servem como referência para os juros dos títulos públicos, que representam o custo para o governo pegar dinheiro emprestado dos investidores.

Possíveis efeitos do corte da nota podem ser a saída de capitais do Brasil (se investidores e fundos considerarem que os títulos do país não são tão seguros) e uma percepção menos otimista sobre o país no cenário internacional.

O relatório da S&P diz que "o baixo crescimento do Brasil reflete fatores tanto estruturais como cíclicos, incluindo baixos investimentos em relação ao PIB e crescimento mais lento da força de trabalho. Combinados, os fatores reduzem a baixa margem de manobra do governo diante de choques externos".

Apesar de o governo ter anunciado cortes de gastos recentemente, a S&P aponta que o Brasil pode ter dificuldades em alcançar sua meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 1,9% do PIB, por conta de "baixo crescimento e a continuação da isenção fiscal (a alguns setores da economia)".

A previsão da agência é de que a economia brasileira cresça 1,8% em 2014 e 2% no ano que vem.

Ainda assim, diz a S&P, a nota do Brasil reflete "suas bem estabelecidas instituições políticas, amplo compromisso com políticas que mantenham a estabilidade econômica e sua economia grande e diversificada".

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