Novo terremoto faz chilenos abandonarem áreas costeiras

Moradores deixam suas casas após terremoto no Chile (foto: Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Novo terremoto ocorreu a apenas 23 quilômetros da cidade chilena de Iquique

Um novo terremoto de grandes proporções ocorrido no mar próximo ao Chile está fazendo milhares de pessoas abandonarem, pela segunda vez em pouco mais de 24 horas, as áreas costeiras do norte do país na noite de quarta-feira.

O tremor de terra atingiu 7,8 de magnitude. Ele ocorreu pouco antes da meia noite de quarta-feira, a 10 quilômentros abaixo da superfície em uma região localizada a apenas 23 quilômetros de Iquique - a cidade mais afetada pelo terremoto da terça-feira.

Autoridades locais ordenaram que áreas costeiras fossem novamente abandonadas em uma ação preventiva devido ao perigo de tsunami.

O terremoto anterior, de 8,2 de magnitude, havia forçado cerca de um milhão de pessoas deixarem a costa após um alerta de tsunami. Porém, quando o alarme foi cancelado, as pessoas retornaram às suas casas. Ao menos oito pessoas morreram na terça-feira.

Mais cedo, a presidente do Chile, Michele Bachelet declarou as regiões de Arica e Parinacoa e Tarapaca como áreas de desastre.

Durante uma visita às áreas afetadas, Bachelet elogiou o "comportamento calmo" da população nas cidades de Iquique e Arica.

"Acredito que vocês nos deram um tremendo exemplo", disse a presidente.

Fuga

Policiais e militares foram enviados para a cidade de Iquique, após 300 detentas escaparem de uma prisão devido ao terremoto que atingiu o país na terça-feira.

Cerca de 130 prisioneiras já voltaram à unidade penal, muitas delas voluntariamente. Elas escaparam durante o caos provocado pelo tremor de terra.

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Image caption Tremor de terra de 8,2 de magnitude gerou alertas de tsunami em países da América do Sul

Mais de 2.000 residências foram danificadas em Alto Hospicio, uma cidade perto de Iquique. Incêndios destruíram edifícios e barcos de pescadores afundaram no porto.

Mais de 40.000 moradores de Tarapaca continuam sem energia elétrica, segundo Ricardo Toro, do Escritório Nacional de Emergência do Chile.

Cerca de um milhão de pessoas foram retiradas de áreas costeiras do país devido à possibilidade naquele momento do Chile ser atingido por tsunamis. Contudo, os moradores voltaram para suas casas depois que o alerta foi retirado.

Ondas de dois metros de altura chegaram a atingir algumas regiões. Tremores secundários de magnitude 6,2 foram registrados após o tremor principal.

Cidade fantasma

As prisioneiras escaparam de uma unidade prisional de Iquique quando um muro desabou às 20h46 de terça-feira. Toro disse que das 293 detentas que fugiram, 131 voltaram voluntariamente.

Logo após a fuga, o ministro do Interior Rodrigo Penailillo disse que 100 policiais de unidades de choque foram enviadas à região para apoiar 300 militares que já atuavam na cidade.

Além de tentar recapturar as fugitivas, os reforços para as forças de segurança devem tentar impedir tumultos e saques.

Os tremores e os deslizamentos de terra bloquearam ruas e atingiram centrais de energia elétrica.

Kurt Hertrampf, dono de um hostel em Arica, disse à BBC que houve um apagão após o terremoto, mas curiosamente os telefones continuaram funcionando.

"O centro de Arica parece uma cidade fantasma", afirmou.

Autoridades afirmaram que as vítimas fatais foram atingidas por muros ou construções que desabaram ou ainda sofreram ataques cardíacos. Diversas pessoas ficaram feridas seriamente.

O tremor de terra de terça-feira foi sentido em outros países. Prédios balançaram na Bolívia e no Peru.

Alertas de tsunami chegaram a ser divulgados em países como Peru, Equador, Colômbia e Panamá.

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