Sindicato diz que parte das obras de Copa e Olimpíada será retomada nesta terça

  • 14 abril 2014
Trabalhadores do Parque Olímpico em greve, em foto de 8 de abril (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption No Parque Olímpico a greve deve continuar

Em meio à crise entre os organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e o Comitê Olímpico Internacional (COI), o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro (Sitraicp) confirmou à BBC Brasil na tarde desta segunda-feira o fim da paralisação que já durava seis dias.

Já o Sintraconst-Rio (outro sindicato responsável por obras cruciais, como o Parque Olímpico, paralisadas desde o dia 3 de abril) teria mantido a greve "por tempo indeterminado", segundo agências de notícias.

Entre as obras que, segundo o Sitraicp, devem ser retomadas nesta terça estão a Transcarioca (sistema de corredor de ônibus BRT que ligará o Aeroporto Internacional Tom Jobim à Barra da Tijuca), cuja conclusão é aguardada para antes da Copa do Mundo. Ela estava parada havia quase uma semana.

Outras cujo trabalho deve reiniciar são a Linha 4 do Metrô, a Transolímpica (BRT que ligará Deodoro à Barra), os trabalhos no Engenhão, no porto, as melhorias em torno do Maracanã e até obras em um píer de plataformas do pré-sal no bairro do Caju.

O Sitraicp reúne cerca de 30 mil trabalhadores no estado do Rio, em obras de infraestrutura e construção pesada. Cerca de 90% deles estavam em greve até esta segunda-feira.

"Não é o (acordo) que a gente queria, mas foi um avanço, foi positivo. Sem dúvida", diz em entrevista à BBC Brasil o presidente do Sitraicp, Nelson Costa.

Ele explica que a categoria obteve junto às empresas, mediante um acordo costurado com a ajuda do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), um reajuste salarial de 9% e o aumento do valor das cestas básicas de R$ 280 para R$ 310. O valor das horas extras não foi alterado: 70% de segunda à sexta e 100% nos finais de semana.

"Se analisarmos somente este aumento do valor da cesta básica, trata-se de um reajuste de 37,5%, algo considerável", complementa.

Para Rodolpho Tourinho Neto, presidente-executivo do Sinicon (sindicato patronal da indústria da construção pesada e de infraestrutura), a paralisação de seis dias em obras importantes foi problemática.

"Sempre há problema, e todos perdem com isso", diz.

Mais greves até a Copa

De acordo com a agência de notícias Reuters, as obras sob responsabilidade de trabalhadores filiados ao Sintraconst-Rio (com cerca de 100 mil filiados trabalhando em obras da construção civil em geral), como o Parque Olímpico, seguirão paralisadas "por tempo indeterminado".

"Não sabemos por quanto tempo ficaremos em greve. Não vamos ceder até recebermos uma oferta. Até agora isso não aconteceu, então parece que vai terminar no Tribunal Regional do Trabalho", disse à Reuters o presidente do Sintraconst-Rio, Antonio Figueiredo Souza.

As greves ocorrem num momento de extrema tensão entre os organizadores e o COI, que deve enviar ao Rio ainda nesta semana seu diretor-executivo para Olimpíadas, o suíço Gilbert Felli, com a missão de acelerar os preparativos para os Jogos.

Outros setores também ameaçam paralisação em meio aos preparativos para a Copa do Mundo.

Quanto a paralisações futuras nas obras que deverão ser retomadas, Tourinho Neto, do sindicato patronal, se mostra confiante.

"Não posso falar por todos esses outros setores, mas no nosso caso, eles (trabalhadores) assinaram um compromisso, um documento, então há segurança. Não podem quebrar esse acordo."

Na visão dos trabalhadores do Sitraicp, no entanto, nada impede novas greves.

"O que estava em jogo era uma convenção coletiva anual. Nada nos impede de fazer novas paralisações. Se houver problemas de alimentação, segurança, acidentes, por exemplo, não há proposta alguma que nos proíba de parar. Não podemos aceitar qualquer coisa", argumenta Nelson Costa.

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