Moradores de Boston lotam as ruas durante maratona para superar atentado

Maratona de Boston 2014 (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Nas ruas de Boston, todos relembravam o que faziam quando o atentado ocorreu há um ano

O dia da edição deste ano da Maratona de Boston começou gelado, apesar do sol e do céu azul.

Mesmo assim, o movimento nas ruas do centro de Boston nesta segunda-feira era intenso. Parecia que cada um dos seus cerca de 600 mil habitantes tinha saído de casa.

Boston foi às ruas para mostrar sua força e deixar para trás de vez o atentado que matou três pessoas e deixou 200 feridos na edição da maratona no ano passado.

Todos relembravam o que faziam e onde estavam em 15 de abril de 2013 e contavam qual era para eles o significado da 118ª edição da corrida que é um símbolo da cidade.

Tudo diferente

Entre eles estava o aposentado Bruce Ammatow, que costuma acompanhar das ruas do centro o esforço dos que correm 42 km, em especial da sua mulher, que participa sempre da maratona.

Este ano, porém, tudo foi diferente para eles.

Em vez da camiseta do grupo de corredores do qual faz parte, Bruce vestiu branco. Os únicos detalhes eram os nomes das vítimas do ano passado - Martin Richard, Krystle Campbell e Lingzi Lu, mortos nas explosões, e de Sean Collier, policial morto na perseguição a um dos responsáveis pelo ataque.

Direito de imagem Reuters
Image caption A segurança da maratona foi reforçada neste ano

Desta vez, o sorriso e as palmas de incentivo deram lugar às lágrimas de emoção e orgulho que ele não conseguia conter.

“É fantástico! Nunca vi tanta gente nesse lugar”, disse Ammatow.

Segurança

O esquema de segurança para este também foi diferente e mais reforçado.

Ao longo do caminho percorrido pelos ônibus escolares que levavam a maioria dos 36 mil participantes do centro da cidade para Hopkinton, o palco da largada, a polícia estava presente presença em cada esquina.

Também checava bolsas e mochilas de quem entrava no perímetro de segurança da prova.

À medida que o sol esquentava, famílias com crianças de colo e cachorros transformavam o feriado do Dia dos Patriotas em festa na Boylston Street, local da chegada.

Havia tanta gente que a polícia já não permitia mais a entrada no quarteirão próximo ao percurso.

Sorte

Image caption Bruce Ammatow estava na maratona em 2013

Em 2013, Ammatov e sua mulher estavam ali, a poucos metros de onde explodiu a segunda bomba no atentado do ano passado.

Ela não havia se inscrito para correr. Apenas percorreu os primeiros quilômetros para ditar o ritmo para alguns amigos.

Depois, se juntou ao marido para acompanhar a chegada dos participantes e adorou o lugar que ele havia encontrado, bem ao lado da linha de chegada.

“Alguns amigos mandaram mensagem de texto para irmos para outro lugar, um pouco antes da chegada, num posto de gasolina. Mas minha mulher não queria sair dali”, disse Ammatow.

Os amigos insistiram e eles acabaram saindo dali minutos antes da tragédia.

'Culpa de sobrevivente

“Não consigo parar de pensar que, pelo fato de termos saído dali, alguém ocupou nosso lugar e se machucou ou morreu”, disse Ammatow.

“É difícil passar por alguns lugares e não chorar. Sinto um pouco de ‘culpa de sobrevivente’.”

Dentre os responsáveis pelo ataque de 2013, Tamerian Tsarnaev foi morto quando era perseguido pela polícia.

Seu irmão mais novo, Dzhokhar Tsarnaev, está isolado em uma unidade prisional do estado de Massachusetts e será julgado no mês de novembro.

Um terceiro suspeito foi morto na Flórida quando atacou um agente do FBI durante um depoimento.

Festa na chegada

Direito de imagem Getty
Image caption Meb Keflezighi venceu a prova masculina

Mesmo em meio a tantas lembranças da tragédia, a festa era grande para a chegada de qualquer participante deste ano.

Mas foi especial para a vencedora da prova feminina deste ano, a queniana Rita Jeptoo, que conquistou o bicampeonato.

E ficou ainda maior ainda quando o americano Meb Keflezighi quebrou o jejum de vitórias dos Estados Unidos na prova masculina, que perdurava desde 1983.

Ao fim da corrida, Ammatow tinha a sensação de dever cumprido por estar para lá para apoiar os amigos e sua mulher, que competiu neste ano, apesar das memórias doloridas deixadas pela edição do ano passado.

E afirma que estará ali de novo em 2015 para ver sua mulher cruzar a linha de chegada novamente.

Notícias relacionadas