Coronel que admitiu ter participado de tortura é encontrado morto no RJ

  • 25 abril 2014
Foto: Julia Carneiro Image copyright Julia Carneiro
Image caption Paulo Malhães admitiu que torturou, matou e ocultou cadáveres em depoimento

O coronel reformado Paulo Malhães, que admitiu ter torturado e matado presos políticos durante o regime militar, foi encontrado morto em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Malhães, de 76 anos, foi encontrado morto depois que três homens que entraram em sua casa na quinta-feira.

De acordo com a polícia, os assaltantes roubaram computadores e algumas armas. Autoridades investigam a possibilidade de que os homens tenham matado Malhães.

No mês passado, o coronel disse à Comissão Nacional da Verdade que nunca se arrependeu de ter matado "tantos quanto foram necessários" e torturado "muitos" prisioneiros.

Quase 500 pessoas desapareceram ou foram mortas no Brasil durante o regime militar, entre 1964 e 1985.

Outras milhares foram detidas e torturadas, incluindo a presidente Dilma Rousseff.

No mês passado, Malhães deu um relato detalhado sobre como torturou muitos presos políticos.

Ele defendeu suas ações dizendo que as pessoas que havia matado e torturado eram "guerrilheiros que lutavam uma luta armada".

"Eu cumpri o meu dever. Não me arrependo", disse ele, durante audiência da Comissão Nacional de Verdade..

A polícia disse estar procurando imagens de câmeras de segurança que possam ajudar a identificar os assassinos de Malhães.

No dia 1º de abril, o Brasil marcou 50 anos desde o golpe que levou ao governo militar, em 1964.

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