Separatistas libertam observador europeu na Ucrânia

  • 27 abril 2014
Observador internacional é libertado em Sloviansk | Foto: Reuters
Separatistas no leste podem tentar trocar observadores europeus por membros de milícias detidos por Kiev

Separatistas pró-rússia no leste da Ucrânia libertaram um dos oito monitores europeus capturados da cidade de Sloviansk, um local crítico no conflito separatista que atinge o país.

Autoridades confirmaram que o monitor, de origem sueca, foi libertado por sofrer problemas de saúde.

O grupo capturado foi exibida para a imprensa neste domingo. Os outros sete homens continuam como reféns e negociações diplomáticas tentam garantir que eles serão libertados.

Os observadores militares internacionais, que operavam sob a proteção da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, na sigla em inglês), são da Alemanha, Polônia, Suécia, Dinamarca e República Tcheca.

No entanto, eles não fazem parte da principal missão de observação OSCE na Ucrânia, com a qual Moscou havia concordado.

Segundo a correspondente da BBC Bethany Bell em Viena, onde a organização é baseada, eles vêm de países individuais do grupo e foram convidados para a Ucrânia pelo governo de Kiev.

Ainda não se tem maiores informações sobre os militares ucranianos que foram capturados com os monitores.

Aumento das tensões

No leste da Ucrânia, homens armados continuam a ocupar prédios oficiais em diversas cidades, desafiando o governo em Kiev.

Homens armados pró-Rússia dizem ter capturado três membros das forças de segurança ucranianas durante a noite de sábado na região. Horas depois, Kiev confirmou a informação

Na cidade de Donetsk, separatistas tomaram o controle da sede da emissora regional de TV e rádio, exigindo que a transmissão de um canal russo seja retomada, no lugar de canais ucranianos.

Mikhail Khodorkovsky, opositor de Putin e ex-magnata do petróleo russo, foi à cidade neste domingo, mas foi impedido de entrar pelos rebeldes.

O presidente americano Barack Obama criticou o governo russo, dizendo que o Kremlin não "levantou um dedo" para implementar o acordo de Genebra, que pretendia diminuir as tensões da região.

Os Estados Unidos e a Europa se preparam para aplicar uma nova rodada de sanções à Rússia, acusando o país de desestabilizar a Ucrânia.

'Diplomatas de uniforme'

Os observadores internacionais foram exibidos para a imprensa neste domingo, levados para a prefeitura de Sloviansk por homens mascarados.

O monitor alemão Coronel Axel Schneider, que falou pelo grupo, disse que todos estavam bem, mas disse que não havia indicação de quando seriam libertados.

Schneider também enfatizou que eles não eram oficiais da Otan - ao contrário do que disseram os separatistas -, nem combatentes armados, e sim diplomatas de uniforme.

EUA acusa Rússia de fomentar conflitos separatistas na Ucrânia

"Não somos prisioneiros de guerra. Somos os convidados do prefeito Ponomaryov e estamos sendo tratados como tal."

O ônibus em que o grupo da OSCE estava foi parado na sexta-feira por autoridades locais, que examinaram seus documentos.

O prefeito autodeclarado de Sloviansk, Vyacheslav Ponomaryov, disse que ao menos um dos passageiros tinha consigo mapas mostrando pontos de controle separatistas na área, o que indicaria seu "envolvimento em espionagem".

Uma porta-voz de Ponomaryov disse à agência de notícias Reuters que o observador sueco que foi libertado "tem um tipo moderado de diabetes e decidimos deixá-lo ir".

Horas antes, o prefeito autodeclarado disse que há possibilidade de trocar os monitores por membros da milícia separatista que foram detidos pelo governo ucraniano.

Kiev acusou os separatistas de usar os europeus como "escudo humano".

A Rússia, que também é membro da OSCE, se comprometeu a "dar todos os passos possíveis" para assegurar a libertação dos observadores.

O Ocidente culpa Moscou por fomentar uma revolta separatista no leste da Ucrânia depois de ter anexado a Crimeia no mês passado. O governo russo nega as acusações.

O ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov disse que a Ucrânia deve pôr fim a operações militares no leste do país como parte de medidas urgentes para pôr fim à crise.

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