As autoridades russas alvo das sanções do Ocidente

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Image caption Igor Sechin (com Putin) foi vice-chefe de gabinete e hoje comanda petrolífera

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira que sete indivíduos e 17 empresas russos serão alvo de mais uma rodada de sanções, por estarem ligados ao "círculo íntimo" do presidente Vladimir Putin.

Trata-se de uma ampliação da lista de sancionados por EUA e União Europeia em resposta "à continuidade da intervenção ilegal russa na Ucrânia", nas palavras da Casa Branca, e à retomada da Crimeia.

A Rússia prometeu uma resposta dura.

Conheça, a seguir, algumas das mais proeminentes figuras russas afetadas até agora pelas restrições americanas e europeias:

Círculo próximo a Putin

Gennady Timchenk: A revista Forbes estima que o amigo de longa data de presidente tenha fortuna de US$ 15,3 bilhões. Fundador da Gunvor, uma das maiores empresas de comércio de commodities do mundo, e envolvido nos setores de petróleo e energia, ele também preside um time de hóquei russo.

Segundo o Tesouro dos EUA, Putin tem investimentos na Gunvor.

Arkady Rotenberg e Boris Rotenberg: O primeiro tem há muito tempo uma relação pessoal com Putin, por terem frequentado a mesma academia de judô na juventude. O segundo tem interesses em equipes de hóquei.

O Tesouro americano diz que os dois irmãos ofereceram "apoio aos projetos de estimação de Putin": tiveram contratos com a organização dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi e com a estatal petrolífera Gazprom, pelos quais aumentaram sua fortuna pessoal a US$ 2,5 bilhões.

Igor Sechin: presidente da petroleira Rosneft, uma das líderes do setor, tem demonstrado grande lealdade a Putin, segundo autoridades americanas. Ele foi vice-chefe de gabinete presidencial até 2008 (quando Dmitry Medvedev sucedeu Putin).

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Image caption Boris Rotenberg e seu irmão são empresários próximos ao Kremlin

Sechin é visto como homem forte nos bastidores que teria "interesses comuns" com Putin.

Yuri Kovalchuk: Maior acionista individual do Banco Rossiya, ele é um dos cem homens mais ricos da Rússia e conselheiro de Putin. É descrito como "banqueiro pessoal" de diversas autoridades russas.

O próprio Banco Rossiya também foi sancionado, por ter pessoas próximas a Putin entre seus acionistas.

Membros do governo

Sergei Ivanov: Tido como amigo de Putin, ele é chefe de gabinete do Escritório Presidencial Executivo desde 2011. Os dois têm a mesma idade, vêm de São Petersburgo e trabalharam nos serviços de inteligência antes de entrar para a política.

No final dos anos 1990, quando Putin dirigiu o serviço secreto FSB, Ivanov foi seu vice. Também foi ministro de Defesa entre 2001 e 2007, até virar vice-premiê e secretário do Conselho de Segurança.

Vladimir Yakunin: Fez parte da rede de apoio de Putin em São Petersburgo nos anos 1990 e foi nomeado presidente da Russian Railways em 2005. Frequentemente debate com Putin temas relacionados a empresas estatais e o aconselha em questões domésticas e internacionais, de acordo com o Tesouro americano.

Vladimir Kozhin: Como chefe de administração de Putin desde 2000, ele é responsável por uma equipe de 60 mil pessoas, por mais de cem empresas e instituições estatais - inclusive edifícios governamentais, como o Kremlin - e por 4 mil veículos.

Viktor Ivanov: O ex-oficial da KGB e vice-diretor da FSB é um importante aliado de Putin. Ivanov atualmente dirige a agência antidrogas russa.

Sergei Naryshkin: Presidente da Câmara Baixa do Parlamento. Analistas e a imprensa local dizem que ele também serviu na KGB, ainda que Naryshkin nunca tenha confirmado isso.

Vladislav Surkov: Atualmente assessor presidencial, ele é tido como o idealizador das sucessivas vitórias eleitorais de Putin por meio de sua polêmica estratégia de "democracia gerenciada". É conhecido como "cardeal cinza" por sua influência de bastidores, sobretudo no primeiro mandato de Putin (2000-2008).

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Image caption Sergei Ivanov é chefe de gabinete do Escritório Presidencial Executivo

Dmitry Rogozin: Vice-premiê e ex-embaixador à Otan, ele desprezou as sanções em um tuíte: "Elas não valem um grão de areia do solo da Crimeia que retornou à Rússia".

Sergei Glazyev: Amplamente visto como assessor principal de Putin para temas relacionados à Ucrânia, ele defendeu abertamente intervir militarmente no país, um mês antes de as tropas russas avançarem na Crimeia.

Sergei Mironov: Proeminente parlamentar, ele teve papel crucial na crise da Crimeia.

Dmitry Kozak: Além de vice-premiê, destacou-se como antigo aliado de Putin - eles trabalharam juntos no governo de São Petersburgo nos anos 1990. Em 2004, Kozak chefiou a campanha eleitoral do presidente. Também foi enviado presidencial à volátil região do norte do Cáucaso, num sinal de que tem a confiança de Putin.

Sergei Chemezov: Diretor da empresa de tecnologia estatal Rostec, ele conhece Putin desde os anos 1980.

Figuras públicas

Dmitry Kiselyov: Polêmico âncora da TV estatal que recentemente se tornou chefe da agência de notícias oficial Russia Today. É conhecido por seu discurso anti-Ocidente e homofóbico, bem como por sua atitude hostil em relação aos protestos ucranianos que derrubaram o presidente Viktor Yanukovych.

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