Cinco curiosidades sobre os álbuns de figurinhas da Copa

Ponto de troca de figurinhas em São Paulo (AP) Direito de imagem AP
Image caption O Brasil é onde há maior número de colecionadores, segundo a Panini

Este pode ser considerado o primeiro sintoma da febre da Copa do Mundo: o lançamento, a cada quatro anos, do álbum do torneio com figurinhas dos jogadores das seleções.

Um mês antes do início da Copa do Mundo no Brasil, em 12 de junho, milhares de colecionadores e fãs colecionam figurinhas com os rostos dos jogadores das 32 seleções participantes, além de outras 40 figuras com temas diversos como o mascote oficial Fuleco, a bola Brazuca, o troféu da Copa do Mundo ou os logotipos de cada federação.

"Para mim, o Mundial não começa com o jogo de abertura, começa no dia que eu tenho o álbum em mãos", disse à BBC Juan Carlos Ortiz, publicitário colombiano residente nos EUA.

"Minha vida é retratada nos álbuns das Copas. Na verdade, eu tenho 12 álbuns de vida, 12 Copas de vida", diz o colecionador, que tem álbuns completos desde o Mundial de 1970, quando ele tinha apenas um ano e seu pai completou um álbum para ele. A coleção de figurinhas tornou-se uma tradição, agora com seus filhos de 8 e 10 anos.

Foi justamente na Copa de 1970 que a empresa italiana Panini lançou seu primeiro álbum.

A BBC reuniu alguns detalhes curiosos na história de 44 anos e 12 álbuns das figurinhas.

1. A Copa no país das figurinhas

As figurinhas dos jogadores da Copa do Mundo no Brasil são fabricadas na fábrica da Panini em Tamboré, na Grande São Paulo. São impressas 40 milhões de figurinhas diariamente.

De acordo com a Reuters, a empresa espera chegar a mais de 8 milhões de colecionadores no Brasil e até mesmo a presidente Dilma Rousseff disse estar ajudando seu neto a completar seu álbum.

Segundo a Panini, o Brasil é onde há mais colecionadores.

2. Existe figurinha mais díficil?

A empresa italiana diz que não há uma figurinha mais difícil que a outra de ser encontrada e que é tudo uma questão de estatística. Apesar disso, colecionadores sempre relatam dificuldades para conseguir alguns selos.

O caso mais emblemático é de Joel Campbell, da seleção da Costa Rica.

O atacante, que atualmente joga pelo Olympiakos, da Grécia, emprestado pelo inglês Arsenal, não conseguiu encontrar sua própria foto - mesmo tendo 500 figurinhas em mãos.

Ele foi ao Twitter reclamar e, entre as mais de 7,4 mil respostas que teve, estava uma da conta oficial da Panini no Reino Unido e Irlanda, prometendo-o a tão procurada figurinha.

3. No álbum, sim; no campo, não

Ao contrário de Campbell, há outros jogadores que deverão se contentar em ilustrar o álbum Panini. É que, apesar de estarem entre os jogadores, não participarão do Mundial por não terem sido convocados.

Esse é o caso do brasileiro Robinho, dos mexicanos Moisés Muñoz e Aldo de Nigris, do bósnio Adnan Zahirovic e dos nigerianos Jonh Ogu e Ideye Brown, entre outros.

Há aqueles que ainda não sabem se serão convocados devido a lesões, como o atacante colombiano Radamel Falcao, cuja recuperação de uma lesão no joelho ainda está indefinida.

Os responsáveis pelo álbum reconhecem que sempre há esse risco, já que o álbum é lançado antes de as seleções serem anunciadas.

No entanto, a Panini tem um departamento com pessoas envolvidas com o futebol local de cada país e que trabalham com as federações e ligas, com as quais obtém uma lista dos potenciais convocados.

4. Indicador de inflação

O preço das figurinhas depende do país e até mesmo de onde se compra, já que elas podem ser encontradas pela internet a um preço mais baixo.

Assim, nos Estados Unidos, um pacote com sete figurinhas custa US$ 1 (R$ 2,22), enquanto que no Brasil um pacote com cinco figurinhas sai por R$ 1.

Na Venezuela, embora a seleção não tenha se classificado para a Copa do Mundo, muitos colecionadores lamentaram nas redes sociais sobre como a inflação galopante se refletia no preços das figurinhas. O índice alcançou novo recorde no mês de março ao atingir 58,4% ao ano.

No país, que acaba de definir o salário mínimo em 4.251 bolívares por mês, equivalente a entre US$ 85 e US$ 675, dependendo da taxa de câmbio usada, o pacote de cinco figurinhas custa 50 bolívares, em comparação aos 4,5 bolívares que custavam quatro anos atrás.

De acordo com um cálculo feito pelo jornal venezuelano Últimas Noticias, em um cenário ideal em que o colecionador não encontrasse figurinhas repetidas, completar o álbum custaria 6.560 bolívares.

Isso, de acordo com o jornal, levou muitos a desistir de completar a coleção.

5. Tudo pelas minhas figurinhas!

Ortiz tem todos os álbuns completos desde a Copa do Mundo no México, em 1970.

"Para completar um álbum, eu faço o que eu tiver de fazer", disse Ortiz à BBC.

O colombiano tem uma estratégia clara: primeiro compra uma caixa cheia com a qual, segundo ele, obtém quase 80% das figurinhas.

"Depois, você já tem um volume para começar a trocar", diz o colombiano, que agora tem dois "representantes oficiais": seus filhos, que trocam figurinhas repetidas na escola.

Mas nem todo mundo usa métodos tão ortodoxos. Nas últimas semanas, duas notícias curiosas chamaram atenção da imprensa.

Uma deles ocorreu no Brasil, onde um furgão que transportava 300 mil figurinhas foi roubado no Rio de Janeiro.

O outro caso ocorreu na cidade colombiana de Bucaramanga onde, segundo a imprensa local, um professor foi acusado de roubar as figurinhas de alunos para completar seu álbum.

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