Brasil depende de inflação menor para reaquecer mercado interno, diz OCDE

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Image caption 'Economia brasileira se mantém em trajetória de crescimento moderado e inflação alta', diz relatório

A demanda interna no Brasil só deverá aumentar à medida que a pressão inflacionária se atenuar, afirma um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre previsões para a economia mundial, divulgado nesta terça-feira.

A organização prevê que a inflação brasileira deverá atingir 5,9% neste ano e 5,5% em 2015.

De acordo com o relatório Perspectivas Econômicas da OCDE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá crescer 1,8% em 2014 e 2,2% no próximo ano.

"A economia brasileira se mantém em uma trajetória de crescimento moderado e de inflação alta. O aperto da política monetária, a diminuição da demanda externa e as incertezas políticas causadas pela eleição presidencial vão provavelmente pesar na atividade em 2014", diz o estudo.

A OCDE estima que a inflação brasileira não vai diminuir no curto prazo e para que tal acontecer, é "desejável" endurecer ainda mais a política monetária.

Para a organização, o Banco Central brasileiro agiu com "bom senso" ao aumentar os juros com o objetivo de reduzir a inflação.

Em abril, o BC aumentou a taxa básica de juros da economia brasileira pela nona vez seguida. A taxa Selic passou de 10,75% para 11% ao ano.

"Um leve crescimento do PIB é esperado em 2015 e a necessidade de dar continuidade a uma política macroeconômica estrita vai frear a demanda interna", diz o estudo.

Para a organização, com sede em Paris, o Banco Central brasileiro deve agir para que a inflação volte ao centro da meta (4,5%) antes de 2016.

Em relação às exportações, as perspectivas também não são positivas. "Elas estão sendo afetadas pelo crescimento mais fraco da demanda externa, sobretudo no caso de produtos manufaturados, embora a desvalorização do real possa reforçar as exportações no futuro", diz o estudo.

Abaixo do potencial

Para a OCDE, o crescimento da economia brasileira neste ano e no próximo (período de projeções do estudo) "deverá ser inferior ao seu potencial, que é ele mesmo já reduzido pelos gargalos da produção".

"As exportações brasileiras deverão ser mais dinâmicas do que a demanda interna, principalmente devido à retomada da economia mundial", diz o estudo "Perspectivas Econômicas".

A organização diz que "é difícil prever" o impacto que a Copa do Mundo de futebol poderá ter sobre as exportações e a demanda interna no Brasil.

Neste ano, a economia mundial deverá crescer 3,5%, segundo a OCDE. Isso representa um pouco menos do que o previsto no estudo anterior, de novembro passado, em razão da "moderação da atividade" nas grandes economias emergentes, principalmente na China.

Em 2015, a economia mundial deve crescer 4%, prevê a OCDE.

"O crescimento econômico e as trocas comerciais devem se recuperar a um ritmo moderado ao longo de 2014 e de 2015", diz o estudo.

Nos Estados Unidos, a retomada econômica deve se acelerar, fazendo o desemprego recuar.

A OCDE prevê que o PIB americano irá crescer 2,7% em 2014 e 3,6% no ano seguinte.

Na zona do euro, a estimativa é de crescimento do PIB de 1,4% neste ano e de 1,8% em 2015.

O crescimento de grandes economias emergentes deve permanecer "modesto" comparativamente ao passado em razão do rigor das condições financeiras e de crédito, afirma o estudo.

"As taxas de crescimento observadas agora na China são incontestavelmente mais sustentáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental, que as taxas de dois dígitos registradas há alguns anos, afirma Rintaro Tamaki, secretário-geral adjunto da OCDE.

Essa desaceleração, diz Tamaki, "não é alarmante" e reflete simplesmente uma diminuição conjuntar após um período de superaquecimento econômico.

A economia chinesa deve crescer, segundo a OCDE, 7,4% neste ano e 7,2% em 2015.

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