Vice dos EUA confirma visita ao Brasil durante a Copa

Joe Biden (Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Joe Biden se encontrará no dia 17 de junho com a presidente Dilma Rouseff e seu vice, Michel Temer

Com um olho na América Latina e outro em uma relação bilateral abalada pelos escândalos de espionagem, a Casa Branca confirmou que o vice-presidente americano, Joe Biden, se encontrará no dia 17 de junho com a presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer em Brasília.

A data foi acertada em uma conversa telefônica entre Dilma e o vice do presidente Barack Obama nesta quinta-feira, segundo um comunicado emitido pela Casa Branca.

Segundo a nota, Biden e Dilma também discutiram "desenvolvimentos regionais" e "desafios políticos, econômicos e sociais" na região.

A maior preocupação dos EUA nesse campo é a Venezuela – e autoridades do governo Obama tem expressado seu desejo de ver um Brasil mais ativo na mediação das tensões políticas no país vizinho.

Mas a Casa Branca também está reforçando a agenda positiva com diversos outros países da região: neste mês Obama recebe em Washington os presidentes de Uruguai e Chile, José Pepe Mujica e Michelle Bachelet, respectivamente, e o secretário de Estado americano, John Kerry, viaja ao México.

O encontro de Biden e Dilma será no dia seguinte ao jogo de estreia dos EUA na Copa do Mundo, contra Gana, em Natal, que o vice do presidente Barack Obama prestigiará.

A reunião será o mais forte sinal do interesse que Brasil e EUA ainda mantêm na relação, apesar do abalo sentido após as denúncias de espionagem feitas pelo ex-analista de inteligência americano Edward Snowden no ano passado.

Segundo as revelações, a presidente foi pessoalmente monitorada pelos serviços secretos americanos. Também foram coletadas informações sobre a Petrobras e cidadãos brasileiros.

O escândalo levou Dilma a adiar a visita de Estado que faria a Washington. Mas os EUA dizem que o convite continua de pé.

Melhora na relação

Biden e Dilma já haviam se encontrado pessoalmente em Santiago, no Chile, durante a posse da presidente Michelle Bachelet, em março. Os contatos na mais alta hierarquia tentam sinalizar que, apesar do baque, a relação Brasil-EUA não está parada.

"É importante reconhecer que muitas coisas continuam a acontecer no relacionamento, todos os dias e semanas, mesmo quando as manchetes dizem que a relação entre os Estados Unidos e o Brasil está congelada", disse na quarta-feira durante uma conferência a subsecretária de Estado americana para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson.

Direito de imagem Getty
Image caption Dilma adiou visita aos EUA depois de escândalo de espionagem

Os países mantêm diálogos bilaterais em 39 áreas, que vão ser intensificados ao longo do próximo ano e meio, disse Jacobson. Inclusive com uma reunião do fórum de CEOs – uma das iniciativas mais visíveis da relação, que se reporta aos dois presidentes – em 2015.

Mas com as eleições entrando em marcha acelerada no Brasil, diplomatas praticamente descartam a realização da visita de Estado neste ano.

Os EUA não têm interesse em politizar a relação bilateral, e Dilma não pode anunciar uma nova data em 2015 sem antes reconquistar seu assento no Planalto.

Silêncio

A reaproximação ocorre sem que a Casa Branca tenha emitido o pedido formal de desculpas exigido por Dilma na esteira dos escândalos envolvendo a Agência de Segurança Nacional (NSA).

Por sua vez, o Planalto nunca expressou publicamente a sua reação às reformas na agência anunciadas em janeiro pelo governo Obama. As diretrizes viraram um pacote legislativo que está sendo votado no Congresso.

Nesta semana, uma reforma do programa de monitoramento em massa da NSA passou por dois comitês da Câmara dos Representantes. A expectativa é que de seja votada em plenário ainda neste mês.

A versão aprovada elimina a coleta em massa de dados das telecomunicações: os dados seriam mantidos pelas empresas de telefonia e o governo precisaria de uma autorização judicial para acessá-los.

Porém, os critérios de acesso ficaram aquém do que pediam organizações de direitos civis, que consideraram o plano uma “versão diluída” das propostas apresentadas por Obama.

Além disso, o projeto não oferece proteções para cidadãos não-americanos. Não se sabe como a proposta, se aprovada pela Câmara, seria recebida no Senado.

A legislação também não engloba a espionagem sobre líderes estrangeiros, que Obama prometeu submeter a critérios mais rigorosos para evitar a repetição de constrangimentos na relação americana com “aliados” - como o Brasil.

Notícias relacionadas