Turquia tem dia de greve e protestos por mortes em explosão em mina

  • 15 maio 2014
Protestos na Turquia (Reuters) Image copyright Reuters
Image caption Em dia de greve, protestos contra mortes em explosão de mina tomaram as ruas de cidades na Turquia

A quinta-feira na Turquia foi marcada por uma ampla greve e mais um dia de protestos contra o pior acidente já ocorrido em uma mina no país.

Com duração de um dia, a greve foi convocada por sindicatos pelas 282 mortes causadas pela explosão em uma mina de carvão na cidade de Soma, no leste da Turquia.

Ao mesmo tempo, milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades turcas no segundo dia de manifestações.

Os sindicatos culpam a privatização do setor de mineração no país pelo acidente. Segundo eles, isso gerou condições mais precárias de trabalho neste setor.

A mina de carvão de Soma foi privatizada em 2005.

Autoridades disseram, no entanto, que ela passava por inspeções regulares. A mais recente ocorreu há dois meses, em março.

O presidente turco, Abdullah Gul, foi à Soma nesta quinta-feira.

Ele visitou o local do acidente em meio aos três dias de luto oficial pelas vítimas da explosão.

Revolta

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Image caption O presidente Abdullah Gul visitou a cidade de Soma, onde mina de carvão explodiu

O desastre gerou revolta no país. Na capital Ankara, 3 mil pessoas participaram de uma passeata.

Em Istambul, manifestantes tentaram protestar na Praça Taskim, palco de protestos contra o governo no ano passado, mas foram barradas pela polícia.

Em Izmir, a terceira maior cidade turca, houve confrontos entre manifestantes e polícias. A polícia usou canhões d'água e gás lacrimogêneo contra uma multidão de 20 mil pessoas.

Ainda houve manifestações em Bursa, Antalya, Diyarbakir, dentre outras cidades.

'Tempos difíceis'

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Image caption Yusuf Yerkel, assistente do presidente, chutou um manifestante na última quarta-feira

Depois de se reunir com mineiros feridos, o presidente Gul pediu que os turcos "se unam para superar estes tempos difíceis".

Gul enfrentou protestos durante sua visita à Soma, mas nada comparado à confusão enfrentada pelo primeiro-ministro Tayyip Erdogan na quarta-feira.

Erdogan foi amplamente vaiado por manifestantes, que chutaram seu carro e pediram que ele deixasse o cargo.

Seu assistente, Yusuf Yerkel, chegou a chutar um dos manifestantes em Soma, uma imagem quer percorreu o mundo.

A imprensa turca ainda publicou uma foto em que o primeiro-ministro parece estar dando um tapa em um manifestante.

Pouca esperança

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Image caption No cemitério de Soma, covas continuam a ser abertas em meio a enterros sucessivos

Os trabalhos de resgate continuam em busca dos 150 mineiros ainda desaparecidos, mas há pouca esperança de que haja mais sobreviventes

Segundo autoridades do governo, 363 mineiros foram resgatados após a explosão. Mas ninguém é resgatado com vida do local desde a quarta-feira.

A explosão lançou monóxido de carbono nos túneis e galerias da mina, que fez com que muitos dos mineiros morressem por intoxicação.

Em entrevista à BBC, um dos sobreviventes contou como tudo aconteceu.

"Sentimos cheiro de fumaça, subimos e ouvimos uma explosão", disse Tac Feratay. "Voltei lá pra baixo para resgatar meus amigos. Não podia respirar nem voltar para cima."

Novas histórias de vítimas seguem vindo a público. Segundo o jornal Hurriyet, um mineiro foi encontrado morto com um recado nas mãos que dizia: "Por favor, me abençoe, meu filho".

Covas continuam a ser abertas no cemitério de Soma em meio à sucessão de velórios.

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