Obama reforça opção por multilateralismo, mas sem abrir mão de liderança

  • 28 maio 2014
Obama na Academia West Point, nesta quarta (Getty) Image copyright Getty
Image caption Presidente prometeu política externa baseada em 'ações coletivas' que não repitam 'erros custosos' do passado

Em discurso nesta quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu uma nova política externa americana, baseada em "ação coletiva" com aliados externos.

Sob críticas por sua política externa - considerada fraca -, Obama afirmou a formandos da academia militar de West Point (Nova York) que quer que os Estados Unidos sigam sendo líderes, mas evitando "erros custosos" do passado ou novas intervenções militares.

O presidente também anunciou um fundo de US$ 5 bilhões para combater o extremismo e prometeu que os EUA "não devem criar mais inimigos do que os que derrotamos no campo de batalha".

A correspondente da BBC em Washington Katty Kay explica que o discurso desta quarta reflete a confusão interna de um país que está cansado de promover intervenções militares, mas que ainda gosta da ideia de ser o líder global.

Obama focou sua fala na ação internacional liderada pelos EUA - esforços diplomáticos para dialogar com o Irã e para reunir apoio contra a Rússia na questão ucraniana -, apesar dos desfechos ainda incertos nessas frentes.

Quanto ao momento mais delicado de sua política externa recente - a guerra civil síria -, Obama defendeu sua decisão de não intervir militarmente no país árabe, argumentando que nenhuma solução militar pode acabar com o sofrimentoda população local.

Mas afirmou que vai trabalhar com o Congresso americano para aumentar o apoio aos rebeldes, em oposição ao presidente Bashar al-Assad, e a países vizinhos, como Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque.

Irã, Ucrânia e Afeganistão

O discurso também elogiou progressos com o Irã e a Ucrânia como êxitos de sua política - afirmando que a liderança americana ajudou a trazer Teerã à mesa de negociações sobre seu programa nuclear e a congregar a opinião pública global contra a Rússia na crise ucraniana.

A fala é uma reação a críticas de muitos republicanos, para quem a política externa atual cria um vácuo de poder global e não tem objetivos claros.

"Céticos muitas vezes menosprezam a eficiência da ação multilateral. Para eles, trabalhar via instituições internacionais ou respeitar a lei internacional é um sinal de fraqueza. Para mim eles estão errados", afirmou Obama.

Além disso, argumentou o presidente, o fim da missão de combate no Afeganistão, previsto para 2016 - conforme anúncio de Obama na terça-feira - liberaria recursos para combater ameaças extremistas em outras partes do mundo - daí a criação de um "fundo de parceria contra o terrorismo", com US$ 5 bilhões.

O dinheiro serviria para, por exemplo, treinar tropas no Iêmen, apoiar uma força multinacional de paz na Somália ou, em parceria com países europeus, ajudar a criar uma força de segurança efetiva em países como Líbia e Mali.

Seu discurso foi uma tentativa de promover a política externa americana como uma que use a força militar se necessário, mas que primeiro busque o consenso internacional.

"Devemos ampliar nossas ferramentas para incluir a diplomacia e o desenvolvimento; sanções e isolamento; recorrer à lei internacional e - se for justo, necessário e efetivo - à ação militar multilateral", declarou Obama.

"Devemos fazer isso porque a ação coletiva tem mais chance de sucesso nessas circunstâncias, e menos chance de nos levar a erros custosos".

Segundo ele, a estratégia de "invadir qualquer país que abrigue redes terroristas é ingênua e insustentável". Quanto ao polêmico uso de aviões não-tripulados (drones), Obama afirmou que eles continuarão em ação, mas com "mais transparência".

Disse ainda que continuará a pressionar pelo fechamento da prisão de Guantánamo - promessa de seu primeiro mandato, mas nunca cumprida - e que "a influência americana é sempre mais forte quando lideramos com nossos exemplos".

A fala desta quarta marca o início de uma série de discursos de Obama sobre política externa nos próximos dez dias, em uma tentativa de rebater as críticas.

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