#SalaSocial: Pressão pela internet acelera votação de lei contra doações eleitorais

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Image caption Estádio Mané Garrincha, em Brasilia, construído por consórcio que realizou doações na última campanha

Após receber mais de 2 mil e-mails em apenas uma hora durante a manhã de ontem, o Senado decidiu acelerar a votação de um projeto de lei que proíbe empresas de fazerem doações eleitorais.

O texto original, criado em 2012 pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), havia sido engavetado após ser alterado no mês passado.

O projeto de lei antigo previa que apenas empresas com "ficha suja" fossem proibidas de contribuir financeiramente com candidatos ou partidos.

O requerimento de urgência da nova versão, aprovado na tarde hoje com as assinaturas de 60 senadores, é mais rígido e prevê a proibição para todas as empresas, de qualquer tamanho ou setor.

Pelas regras do Senado, o projeto precisa ser votado até a próxima segunda-feira.

Mobilização

A pressão popular foi orquestrada pelo site Avaaz, que mobilizou 100.000 pessoas em torno do assunto. Elas foram estimuladas a enviar e-mails ao Senado por meio do próprio site, que também forneceu os telefones de alguns senadores.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), que recolheu as assinaturas dos demais senadores, disse por telefone à BBC Brasil que a mobilização popular pela internet foi o ponto de partida para esta votação.

"De repente, milhares de pessoas tomaram conhecimento da existência do projeto. Por isso, a mobilização virtual é extraordinariamente positiva, porque faz as pessoas acordarem para os problemas, inclusive aqui dentro", afirmou.

Para Requião, o projeto evita que empresas se tornem "donas dos governos".

"Empresa não tem cidadania, não vota, e, se decide investir em políticos, é para tentar mandar na atuação deles", disse.

Segundo representantes do site Avaaz, que desde 2007 usa a internet como meio de pressão popular contra governos e empresas, a previsão de votação na próxima segunda-feira não é suficiente.

"A pressão precisa continuar porque o Senado tem mil mecanismos para adiar ou atrasar decisões. Nós queremos que isso seja votado antes da Copa", disseram os porta-vozes ao #salasocial.

Construtoras

As obras de estádios para a Copa do Mundo foram o ponto de partida para a mobilização virtual, que ataca diretamente construtoras e empreiteiras.

Segundo os ativistas, empresas que realizaram doações eleitorais teriam sido beneficiadas na construção de estádios como o Mané Garrincha, em Brasília.

"É o segundo estádio mais caro já construído no mundo - e numa cidade como Brasília, que sequer tem um grande time de futebol", disse Michel Freitas Mohalen, diretor de campanhas do Avaaz.

Com base em uma reportagem da agência de notícias Associated Press, ele afirma que a empreiteira Andrade Gutierrez, uma das responsáveis pela obra, aumentou em 500 vezes suas doações para fundos eleitorais nas últimas eleições - informação não confirmada pela construtora.

Ainda de acordo com Mohalen, nas últimas eleições, empresas de diferentes setores foram responsáveis por 98% das doações realizadas para Dilma Rousseff e José Serra, os dois principais candidatos à presidência na época.

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