Brasil sofre e é vaiado, mas vence último teste

Jogadores da seleção na saída do gramado do Morumbi após vitória sobre a Sérvia Direito de imagem AFP
Image caption Felipão valorizou a forte marcação da Sérvia e aprovou o teste visando a estreia no Mundial

Se a seleção brasileira buscava um teste contra uma seleção com forte marcação, os últimos 90 minutos em campo antes da estreia na Copa do Mundo valeram a pena.

Diante da Sérvia, rival que se defende com praticamente todos os jogadores e mostrou bastante vigor físico a cada dividida, o time de Luiz Felipe Scolari teve dificuldades, chegou a ser vaiado na saída para o intervalo e venceu por 1 a 0 após boa jogada de Fred, que venceu disputa na grande área e garantiu a vitória aos 13 minutos da etapa final.

Para o jogo, Felipão contou com força máxima e escalou o time considerado titular, o mesmo que foi campeão da Copa das Confederações, contando com a volta de Thiago Silva e Paulinho (tinham sido poupados contra o Panamá).

Mas, apesar do entrosamento da equipe principal, o primeiro tempo da seleção foi ruim. Neymar até arriscou algumas jogadas individuais, mas o time não conseguiu criar boas jogadas e deixou uma má impressão aos mais de 67 mil presentes no Morumbi - boa parte do estádio vaiou o time.

"É normal, (as vaias) apareceram em Goiânia também. Não foi problema nenhum para os jogadores, porque eles sabem que quando não se joga bem, vai ter. Mas acho que no final do jogo, dos 67 mil, 65 mil saíram satisfeitos. Tivemos um cartão de visitas legal para jogar aqui (em São Paulo) contra a Croácia", disse Felipão.

O técnico também valorizou a boa postura defensiva da Sérvia, aprovando o teste contra um time que marca bastante recuado e que pode se repetir na semana que vem, contra a Croácia.

O time voltou com Willian na vaga de Oscar, e a mudança repercutiu também na entrevista coletiva do treinador. "Quem escala sou eu, não adianta a crônica dizer que esse está bem ou não. Tenho o Willian, o Bernard, o Fernandinho, são bons problemas. Eu tenho opções, então se tiver dificuldade eu tenho quem colocar e sei que eles vão render", respondeu o técnico brasileiro.

"A gente tem de ter confiança, é o que ele está passando para mim. Não é um amistoso ou um treino que vai me tirar da equipe", comentou o próprio Oscar na saída do vestiário. "Eu fiz um bom jogo contra a África do Sul e agora já querem me tirar do time? Querem o Willian no time, mas só querem me tirar? Eu estou tranquilo, sei da qualidade do Willian, mas cada um tem seu espaço."

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Apesar da melhora, o Brasil também não fez um segundo tempo brilhante, tanto que a vitória saiu de um lançamento direto do zagueiro Thiago Silva que foi muito bem aproveitado por Fred: o camisa 9 dominou, ganhou do zagueiro e, mesmo caído, chutou forte para marcar o último gol da seleção antes do Mundial. Depois, Neymar carregou da esquerda para dentro e encontrou um ótimo lançamento para Hulk, que marcou o gol, mas viu o assistente anular (de forma equivocada) por impedimento.

Quem saiu do banco - depois do gol Felipão mudou as laterais, promovendo as entradas de Maicon e Maxwell, e deu alguns minutos para Fernandinho, Bernard e Jô - ainda tentou dar novo gás à equipe, mas a Sérvia seguiu bem postada e os brasileiros tiveram poucas chances de ampliar, a melhor delas com Jô, que parou no goleiro sérvio. Por outro lado, os europeus assustaram o gol de Júlio César: num contra-ataque, Tosic tocou de cabeça e acertou a trave.

Reta final

Depois de voltar para o Rio de Janeiro após o jogo, a delegação será liberada para uma folga neste sábado e se reapresenta no domingo, às 11h. O elenco trabalha na Granja Comary até terça, quando viaja para São Paulo onde faz o treino de véspera na Arena Corinthians, quarta, local da abertura da Copa do Mundo, no dia seguinte, frente à Croácia.

"Temos uma dificuldade normal de final de temporada, (estamos) um pouco cansados, eu mesmo, que inclusive fiquei de fora do jogo contra o Panamá. Mas a partir de agora isso acabou", comentou o capitão Thiago Silva, na mesma linha do técnico Luiz Felipe Scolari: "A gente chega bem, o que deveria ser feito, foi feito. Na minha palavra após o jogo eu disse para eles: aproveitem bem hoje e amanhã (sexta e sábado), porque depois do domingo o foco é total na seleção. O sacrifício vai ser grande".

"Fisicamente não tem mais nada para fazer. Melhoramos uns 15% em relação ao jogo do Panamá e acho que contra a Croácia já estaremos numa condição melhor. Taticamente, ainda podemos equilibrar alguma coisa, e também melhorar um pouco a bola parada", finalizou Felipão.

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