Presidente da Ucrânia toma posse e tenta 'malabarismo' para paz

AFP Direito de imagem AFP
Image caption Poroshenko acenou com concessões ao leste do país, mas reafirmou laços com União Europeia

Petro Poroshenko tomou posse neste sábado como presidente da Ucrânia, estabelecendo um plano para tentar trazer a paz ao leste do país, região que há meses é palco de conflitos e campanhas separatistas.

Parte do discurso foi em russo – voltado para a população da região de Donbass, onde se concentram os insurgentes e cuja a maioria da população fala o idioma do país vizinho. No entanto, apesar de oferecer concessões ao leste do país, ele frisou que a Crimeia - anexada em março pela Rússia - é território ucraniano.

Poroshenko ofereceu eleições regionais antecipadas no leste e uma descentralização do poder para as administrações regionais. Outra oferta apresentada por ele foi um corredor para os soldados russos voltarem para casa.

"Eu não quero guerra, eu não quero vingança, apesar do enorme sacrifício do povo ucraniano", discursou.

Poroshenko chamou os separatistas do leste a depor as armas, prometendo em troca a retirada das acusações criminais contra todos aqueles que não têm sangue em suas mãos.

Mas ele ressaltou: "Conversar com bandidos e assassinos não é o nosso caminho."

Por outro lado, Poroshenko destacou que a Crimeia - anexada em março pela Rússia - "é, foi e sempre será solo ucraniano".

“Eu coloquei isso claramente para o líder russo", acrescentou, referindo-se ao breve encontro que teve com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta sexta-feira na França.

Direito de imagem AFP
Image caption Soldados russos permanecem no leste da Ucrânia

Poroshenko também disse que não haveria discussão a respeito da integridade territorial da Ucrânia e reiterou seu desejo de que o país participe da União Europeia – momentos em que foi aplaudido.

Reação

O novo presidente - um empresário de 48 anos – foi eleito em 25 de maio. Ele criticou o governo anterior, de Viktor Yanukovych, que foi deposto em fevereiro, após protestos em reação a sua aproximação com a Rússia e afastamento da União Europeia.

Ele acusou Yanukovych de financiar o terrorismo no leste do país, dizendo que ele era "totalmente responsável pela situação de lá hoje".

Apesar das ofertas de concessões políticas, alguns separatistas reagiram ao discurso.

Um porta-voz dos separatistas em Donetsk, Fyodor Berezin, afirmou o que Poroshenko queria "desarmamento unilateral" e que "isso nunca vai acontecer". Outro líder insurgente no Luhansk, Valery Bolotov, disse que não acreditava na oferta de anistia do novo governo.

Já o embaixador da Rússia, Mikhail Zurabov, considerou o discurso de posse uma "declaração de intenções promissora". Zurabov, que participou da cerimônia de posse, disse que a Ucrânia deve terminar sua operação militar no leste, viabilizando um cessar-fogo [com os separatistas] e permitido o acesso humanitário.

Direito de imagem AP
Image caption Poroshenko já se encontrou com Obama e Putin

Após a reunião na sexta-feira, Putin disse que gostou da abordagem de Poroshenko, mas ressaltou que iria esperar para ver o que ele poderia entregar.

Putin e o presidente americano, Barack Obama, também realizaram uma "reunião informal" com duração de cerca de 10 a 15 minutos, de acordo com a Casa Branca.

No sábado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, divulgou uma nota otimista, dizendo: "Espero que nos próximos dias possamos ver algumas medidas serem tomadas que irão reduzir as tensões... Estou confiante".

União Europeia e Estados Unidos tomaram sanções contra a Rússia depois que ela anexou a Crimeia, na sequência de um controverso referendo. Desde então, uma insurgência sangrenta tomou conta das províncias orientais da Ucrânia de Donetsk e Luhansk.

Notícias relacionadas