Bernard
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Do inferno ao paraíso: Caçula da seleção relata medo e dias de tensão na Ucrânia

Bernard Anício Caldeira Duarte tinha apenas 20 anos de idade quando desembarcou na Ucrânia, em agosto do ano passado.

Campeão da Libertadores da América com o Atlético Mineiro, o título mais importante da história do clube, Bernard não queria sair do time do coração.

Mas o Atlético precisava vendê-lo. E quem ofereceu mais (25 milhões de euros) foi o Shakhtar Donetsk, que se notabilizou por contratar muitos jogadores brasileiros em seu projeto de ganhar espaço no cenário doméstico e europeu.

Mal sabia Bernard o que estava por vir.

As tensões na Ucrânia causaram a queda do governo local e a anexação de uma região historicamente importante, a Crimeia, pela vizinha Rússia.

Nas últimas semanas, outras regiões da Ucrânia com grande número de russos vivem sob a ameaça de tomarem o mesmo caminho. Entre elas, a cidade de Donetsk.

"Fiquei com medo, bastante assustado, nunca vivi momentos assim", contou Bernard à BBC Brasil.

'Alegria nas pernas'

Agora com 21 anos de idade, caçula do grupo e ainda com voz e jeito de menino, o atacante foi convocado para a Copa do Mundo por Luiz Felipe Scolari menos pela temporada que fez, mais pela Copa das Confederações do ano passado.

Durante o período de treinos para o torneio, ficou famosa a frase de Scolari ao dizer que Bernard tinha "alegria nas pernas".

O jovem atleticano ganhou o posto de reserva predileto do treinador, deixando para trás Lucas Moura, ex-São Paulo, que tinha o nome gritado pela torcida em todos os estádios do país. Lucas acabou nunca mais recuperando o espaço e ficou fora do Mundial.

Bernard, apesar do ano difícil dentro e fora de campo, está na Copa. E é considerado por Felipão um nome importante para mudar o rumo de algum jogo mais difícil do que o normal na busca pelo hexa.

Dias de tensão

Depois dos dias de tensão na Ucrânia, Bernard fala como quem deixou o inferno para se juntar a um grupo de amigos no paraíso.

"Não imaginaria que tantas pessoas pudessem estar do lado da Rússia (em Donetsk). Desde que votaram o referendo, já mudaram a bandeira da cidade, aí que caiu a ficha e deu para ver que a situação estava completamente fora de controle", diz Bernard.

"Cada vez mais, via a situação piorando. Nos jogos, estávamos sempre com dois, três, quatro, cinco policiais com a gente dentro do avião para poder nos escoltar. A segurança foi reforçada, mas em uma situação como essa não adianta. Quando as pessoas querem fazer o mal, elas fazem."

Quando a situação na Ucrânia passou a se aproximar de uma guerra, Bernard chegou a traçar um plano de fuga para ele e os familiares. Não foi necessário colocá-lo em ação, mas o jogador do Shakhtar admite que pretende mudar de ares caso o cenário não se estabilize.

"São aprendizados, coisas que vamos levando para vida. É uma situação complicadíssima, triste, espero que tudo se resolva e possa acabar em paz no final."