Com comércio em queda, Brasil e Argentina fecham novo acordo automotivo

Dilma e Cristina Kirchner. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Exportações e as importações caíram 20% nos primeiros quatro meses de 2014 entre os países

Brasil e Argentina renovaram nesta quarta-feira o acordo automotivo entre os dois países. A renovação se dá em um momento de forte queda no comércio bilateral.

A renovação passa a vigorar em primeiro de julho e vai até o dia trinta de junho do ano que vem. Pelos termos do acordo, para cada dólar importado o Brasil poderá exportar US$ 1,5 para a Argentina. A medida visa equilibrar o comércio, hoje deficitário para a Argentina – pelo acordo, a balança só pode ser favorável ao Brasil em 50%.

De acordo com dados da consultoria econômica Abeceb, de Buenos Aires, baseada em dados oficiais, as exportações e as importações caíram 20% nos primeiros quatro meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. O volume deste comércio bilateral em 2013 foi de aproximadamente US$ 19 bilhões, ainda segundo dados compilados pela consultoria.

As autoridades dos dois países já estudam as regras para um acordo mais longo a partir de 2015, segundo disseram os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) do Brasil, Mauro Borges, e os ministros argentinos da Economia, Axel Kicillof, e da Indústria, Debora Giorgi.

Para o economista argentino Dante Sica, da Abeceb, o novo teto de exportações, chamado "flex", de US$ 1,5 para US$ 1, é positivo.

“Antes, este item foi de US$ 1,9 e chegou a superar a marca de US$ 2, mas jamais foi superada. Então, a definição do flex de US$ 1,5 é positiva, neste momento, para os dois lados. Na realidade, eles estão dando previsibilidade ao setor e reconhecendo seu novo limite”, disse à BBC Brasil.

Setor automotivo

O setor automotivo representa cerca de 55% do total do comércio bilateral e gera 140 mil empregos, segundo fontes do governo brasileiro. “Quando as vendas caem é normal que exista preocupação”, reconheceram pouco antes da assinatura do acordo nesta quarta.

A produção e venda de automóveis e de autopeças representava cerca de US$ 4 bilhões em 2000. Hoje chega a US$ 19 bilhões. O comércio de autos tem papel fundamental na balança comercial dos dois países que, no total supera os US$ 30 bilhões anuais.

“Com este novo acordo, o nosso objetivo não é só manter a cadeia produtiva, que neste setor é interligada para o Brasil e para a Argentina, mas manter o fluxo bilateral de comércio”, disse Kicillof, sentado ao lado dos outros ministros, incluindo Borges.

Ele disse ainda que o novo acordo “atende as orientações das presidentes Cristina Kirchner e Dilma Rousseff”. Na semana passada, foi realizada reunião em Brasília entre os ministros Borges e Giorgi que definiram os detalhes técnicos do entendimento.

A palavra final, porém, segundo disseram fontes dos dois governos, seria das presidentes, como confirmou Kicillof na entrevista coletiva. “O principal é que este acordo atual dará previsibilidade ao setor e nestes meses teremos varias reuniões para definir o próximo acordo, de longo prazo”, disse Giorgi.

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