Seis histórias para ficar de olho na Copa do Mundo

Pintura da Copa em rua de Santos (SP) Direito de imagem Reuters

A Copa chegou. Quem passa o olho pela tabela logo já marca os dias dos jogos da sua seleção preferida e fica obviamente ligado nas partidas do Brasil; no reencontro entre Espanha e Holanda; nos duelos dos campeões mundiais Inglaterra, Itália e Uruguai; e, claro, nos horários em que outras grandes equipes, como Argentina e Alemanha, vão a campo.

Para quem gosta de bolões e palpites, também é hora de simular os cruzamentos das fases finais, imaginar os duelos que só acontecerão daqui a praticamente um mês e apostar no artilheiro, na surpresa, no fiasco.

Além disso, listamos aqui seis fatos para se atentar durante os 64 jogos da Copa do Mundo. Confira:

Aos 26

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Image caption Messi chega à terceira Copa do Mundo na idade "ideal": hora de brilhar?

Uma das maiores estrelas do futebol contemporâneo, Lionel Messi chega a sua terceira Copa do Mundo aos 26 anos, mesma faixa de idade em que nomes como Maradona (1986), Zidane (1998) e Ronaldo (2002) roubaram a cena em Mundiais, por exemplo.

Até aqui, o camisa 10 argentino não brilhou num torneio desse porte no nível que já desempenhou no Barcelona: em 2006, ainda muito jovem, ele foi pouco utilizado, enquanto em 2010, já protagonista, parou nos goleiros adversários, não marcou gols e viu a seleção ser eliminada com goleada diante da Alemanha.

No Brasil, o argentino reúne as melhores condições para se destacar, como o apoio da torcida do país vizinho e uma temporada menos desgastante na Europa. Se não colocar essa Copa na estante, na próxima, aos 30, pode ser tarde demais.

Maldição do melhor do mundo

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Image caption Ronaldo não se apresentou nas condições ideais, mas, recuperado, já mostra confiança

O italiano Roberto Baggio jogou bem, mas errou o pênalti que deu o tetracampeonato ao Brasil (1994); Ronaldo chegou a brilhar, mas sofreu uma convulsão e a seleção brasileira perdeu o título para a França (1998); Luís Figo e Portugal caíram fora ainda na primeira fase (2002); Ronaldinho Gaúcho jogou mal, e nem gols marcou (2006); Messi foi eliminado com goleada sem nenhum gol sequer (2010).

Esse é o histórico da maldição do melhor jogador do mundo, que sempre apronta em Copas diante dos craques da temporada anterior desde que a Fifa oficializou o prêmio, no início dos anos 1990.

E é com esse peso que Cristiano Ronaldo chega ao Brasil. Grande nome do Real Madrid campeão europeu, ele foi o protagonista da classificação portuguesa ao Mundial no confronto da repescagem contra a Suécia.

Convivendo com lesões, ele não chegou ao país da Copa em sua melhor condição física, nem tem um grupo tão tranquilo pela frente – Portugal, que já não tem um time de qualidade incontestável, enfrenta Alemanha, Estados Unidos e Gana. Desafios para Ronaldo, o melhor do mundo da vez.

Maratona de sábado

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Image caption O único dia da Copa com quatro jogos em horários diferentes reserva Inglaterra (foto) x Itália

O torcedor que acompanha todos os jogos da Copa do Mundo pela televisão se acostumou a ver três partidas na sequência durante as duas primeiras rodadas da primeira fase, que no Brasil acontecerão nos horários das 13h, 16h e 19h. Mas o primeiro sábado do torneio foge dessa rotina e oferece um bônus ao fã de futebol.

Serão quatro jogos em horários diferentes, ou seis horas (mais os acréscimos) de futebol ao vivo, na sequência, no primeiro sábado do torneio, dia 14 de junho: Colômbia x Grécia, às 13h; Uruguai x Costa Rica, às 16h; Inglaterra x Itália, às 18h; e Costa do Marfim x Japão, às 22h.

A mudança se dá porque a organização quebrou o que vinha acontecendo nas últimas edições, deixando o jogo inaugural solitário no dia da abertura e criando um horário especial – no caso, o das 22h – para um jogo que sobrou no calendário de três jogos por dia.

De quebra, ajudou o público japonês, que poderá assistir a esse jogo num horário mais acessível, e garantiu que o jogo em Manaus, aquele em que o calor é mais preocupante, entre ingleses e italianos ficasse ao menos para o fim de tarde, já com um sol mais baixo.

Maior que Ronaldo?

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Image caption Miroslav Klose precisa de apenas um gol, e conta com uma Alemanha ainda mais forte

O ex-atacante Ronaldo é conhecido por ser o maior artilheiro da história das Copas, depois de precisar de 19 partidas para marcar 15 vezes e superar o alemão Gerd Muller, que anotou 14. Mas tem um outro alemão que pode superar a marca do brasileiro no Mundial de 2014.

Miroslav Klose, que não tem exatamente a mesma fama de Ronaldo ou da lenda alemã Muller, chega ao Brasil com 14 gols marcados e a possibilidade real de se tornar o primeiro da lista: ele enfrenta na primeira fase Portugal, Gana e Estados Unidos.

Internamente na seleção, Klose já se tornou o maior artilheiro da história na última semana, ao fazer o gol de número 69 e superar o próprio Muller, que tinha 68. Sobre a Copa, o principal concorrente já deixou claro uma torcida contra: Ronaldo não se esquivou sobre a pergunta e disse que secará o alemão para manter o recorde.

O fantasma de 1950

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Image caption Todos falam do fantasma da Copa de 1950, e Neymar comanda o Brasil diante da lembrança

A vitória do Uruguai sobre o Brasil no jogo final da Copa do Mundo de 1950 marcou para sempre a história do futebol e também dos dois países sul-americanos.

Do lado brasileiro, talvez o principal símbolo seja a expressão "complexo de vira-lata", criada pelo escritor Nelson Rodrigues para simbolizar o trauma sofrido pelos quase 200 mil torcedores que foram ao Maracanã naquele 16 de julho de 1950.

Pela parte uruguaia, a vitória consolidava a boa fase do país dentro de campo, onde chegava ao bicampeonato mundial depois de ser bicampeão olímpico anos antes – o futebol era o orgulho local diante dos vizinhos.

Agora, o Brasil volta a sediar um Mundial num momento em que a seleção uruguaia volta a ser respeitada. E um fantasma de 1950, ou o temor de um novo "Maracanaço", passa pelo pano de fundo desta edição do torneio, ainda que o técnico celeste, Óscar Tabárez, trate sempre de minimizar.

Em 1950, o Brasil jogou cinco vezes no Maracanã e uma no Pacaembu, enquanto o Uruguai, além dos dois estádios citados, também atuou no Independência, em Minas Gerais.

Daquele jogo decisivo, quando o Brasil podia empatar e perdeu por 2 a 1, só um uruguaio ainda está vivo, exatamente o autor do gol da vitória. E Alcides Ghiggia já está no Brasil.

Cabeça de chave, eu?

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Image caption Courtois, um dos nomes da nova geração belga, fez grande temporada pelo Atlético de Madri

A Copa do Mundo tem, de forma inédita, oito campeões mundiais. E então, já que tem oito grupos, basta colocar uma seleção em cada um deles, certo? Errado. A Fifa, usando o ranking de outubro do ano passado, acabou promovendo Suíça, Bélgica e Colômbia como cabeças de chave neste Mundial.

Das três, a Colômbia é quem chega menos prestigiada por ter perdido o principal jogador, Falcão García, centroavante que acabou não se recuperando de lesão. Mas a dupla europeia, apesar de não ter um histórico que impressione (a Bélgica tem uma semifinal no currículo, e a Suíça, no máximo, alcançou as quartas de final), chega impondo algum respeito.

Falar da "nova geração belga" virou até um clichê na crítica esportiva, e o time é candidato a sensação da Copa com jogadores como o goleiro Courtois (22) e o meia Hazard (23).

O time belga é, de fato, muito jovem, com média de idade de 25,5 anos, e fez uma campanha bastante sólida na eliminatória, com oito vitórias, dois empates e nenhuma derrota. Os principais nomes vêm de boa temporada europeia e a expectativa é de uma campanha de destaque no Grupo H, quando enfrenta Argélia, Rússia e Coreia do Sul.

A Suíça também passou bem pela qualificação à Copa, com sete vitórias, três empates e nenhum revés. Os destaques também são jovens, como Shaqiri (22) e Seferovic (22). Conhecida pela defesa sólida, a equipe venceu Alemanha e Brasil em amistosos recentes e conta com remanescentes do título mundial sub-17 de 2009. No Grupo E, os rivais são Equador, França e Honduras.

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