Copa começa com vitória do Brasil em campo e choques nas ruas

Neymar e policial (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Nas ruas, policiais entraram em confronto com manifestantes; No estádio, Brasil venceu a Croácia

O dia da abertura da Copa do Mundo foi marcado pela vitória do Brasil sobre a Croácia e protestos violentos em várias cidades do país.

A manhã começou tensa em São Paulo, onde policiais e manifestantes entraram em confronto próximo à Radial Leste, principal avenida de acesso à Arena Corinthians, em Itaquera, na zona leste da cidade.

Cerca de 100 manifestantes de ao menos seis diferentes movimentos sociais se reuniram em frente a estação Carrão do Metrô por volta de 10h desta quinta-feira.

A polícia avançou sobre o grupo disparando grande quantidade de balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio, temendo que eles bloqueassem a avenida.

Parte do grupo se uniu a uma segunda manifestação que acontecia no sindicato dos metroviários, a cinco quarteirões de distância. A polícia cercou o local e lançou mais bombas de gás lacrimogênio contra cerca de 300 pessoas. Os manifestantes se refugiaram dentro do edifício, mas foram obrigados pelos policiais a sair.

Em seguida os manifestantes invadiram a estação Tatuapé, próxima do local, causando pânico e tumulto entre os usuários do Metrô. A tropa de choque da PM então entrou no edifício e atacou os manifestantes com golpes de cacetete. Bombas de efeito moral também foram usadas.

A estação foi então fechada e todos os passageiros retirados às pressas.

Os manifestantes que haviam se dispersado voltaram a se concentrar em frente à tropa provocando novos choques.

Em um dos confrontos, duas jornalistas da rede americana CNN tiveram cortes profundos nos braços. Ao menos 12 pessoas foram feridas, cinco delas jornalistas que trabalhavam no local. Cerca de 30 pessoas foram detidas por diversos motivos, como posse de canivetes e de vinagre, segundo a polícia.

Os ânimos só se acalmaram por volta das 16h, quando a PM dispersou os últimos grupos de manifestantes que se concentravam próximo à estação Tatuapé do Metrô.

Direito de imagem AP
Image caption Em São Paulo, confrontos entre manifestantes e policiais deixou feridos

O comportamento da polícia gerou crítica de ONGs como a Anistia Internacional, que deu um "cartão amarelo" para a Polícia Militar de São Paulo por causa da ação contra os manifestantes.

"Estamos dando um cartão amarelo para a Polícia Militar de São Paulo por atacar manifestantes pacíficos ao invés de garantir o direito ao protesto e a segurança dos participantes", informou a organização em uma declaração.

Tumulto e quebra-quebra

Direito de imagem BBC Brasil
Image caption Clima chegou a ficar tenso em manifestação na praia de Copacabana, no Rio

No Rio de Janeiro, um protesto dos aeroviários bloqueou as vias de acesso ao aeroporto internacional entre as 6h e as 9h, o que gerou engarrafamento e fez muitas pessoas perderem seus voos.

Os aeroviários fariam uma greve 24 horas que reduziria em 20% o contingente de trabalhadores dos aeroportos cariocas.

Mas a paralização foi cancelada no Rio depois que a Justiça proibiu manifestações nas imediações dos aeroportos, sob pena de pagamento de multa de R$ 500 mil por hora.

No Centro da cidade, um protesto bloqueou a avenida Rio Branco. A manifestação reuniu cerca de 2 mil pessoas.

A princípio pacífico, o protesto terminou com confronto. Após a chegada à Cinelândia, houve tumulto e quebra-quebra.

Direito de imagem BBC Brasil
Image caption No Rio de Janeiro, houve protestos no Centro da cidade e em Copacabana

Na parte da tarde, um segundo protesto ocorreu em Copacabana. Gritando "Ei, Fifa, volta pra Suíça", cerca de 500 pessoas diante da estação de Metrô Cardeal Arcoverde.

A manifestação cresceu e chegou a reunir mais de 1.000 pessoas, que tentaram chegar à Fan Fest do Rio, na divisa entre os bairros de Copacabana e Leme, mas foram impedidos por policiais.

A Fan Fest atraiu muitas pessoas, mas a maioria optou por assistir à partida da orla, na rua, para evitar as três horas de fila para entrar na arena.

Confrontos

Centenas de manifestantes também se reuniram no centro de Porto Alegre para protestar contra os gastos da Copa.

Direito de imagem Portal da Copa
Image caption Apesar de longa fila para entrar, Fan Fest reuniu milhares de pessoas no Rio de Janeiro

Conteineres foram queimados e alguns edifícios tiveram suas janelas quebradas. Houve confronto com a polícia.

Os protestos em Belo Horizonte começaram às 14h na Praça Sete, no centro da cidade. Cerca de 250 manifestantes passaram pela prefeitura, na Avenida Afonso Pena, e seguiram até a Praça da Liberdade.

Houve confronto com a polícia, e um fotógrafo da agência de notícias Reuters ficou ferido depois de ser atingido por uma pedrada.

Em Natal, motoristas de ônibus decidiram manter a greve. A cidade teve hoje só 30% da frota nas ruas.

Uma tentativa de acordo com empresários do setor fracassou. A prefeitura diz que vai à Justiça contra o movimento, que afetou 530 mil pessoas.

Vitória

Mesmo com os protestos em São Paulo, o acesso ao estádio não foi prejudicado. O esquema de transporte funcionou bem, com muitos funcionários para orientar o público nas estações do trem e do metrô.

Na estação Luz, torcedores croatas chegaram a cair no samba em uma roda improvisada por brasileiros com instrumentos. O trem expresso da Copa ficou cheio, mas não lotado.

Direito de imagem BBC Brasil
Image caption Gol contra no início do primeiro tempo deixou milhões de brasileiros apreensivos

Os portões da Arena Corinthians foram abertos às 13h, e a maior parte do público chegou cedo para assitir à cerimônia de abertura.

O jogo entre Brasil e Croácia começou às 17h. Logo aos 11 minutos do primeiro tempo, a seleção brasileira ficou em desvantagem no placar depois que Marcelo fez um gol contra ao tentar desviar um cruzamento do time croata.

Mas o Brasil conseguiu empatar 18 minutos depois com um gol de Neymar. A seleção ampliou a vantagem depois que Fred sofreu um pênalti, e Neymar cobrou, marcando seu segundo gol na partida aos 25 minutos do segundo tempo.

Direito de imagem AFP
Image caption Neymar virou um placar com gol de pênalti no segundo tempo da partida

A seleção croata chegou a pressionar o time de Felipão na busca pelo empate.

Mas Oscar marcou aos 46 minutos e fechou o placar em 3x1, para alívio geral da nação.

Notícias relacionadas