Curdos tomam cidade no Iraque e formam 'barreira' a avanço de islamistas

Kirkuk. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Tanques dos curdos tomaram cidade de Kirkuk nesta quinta-feira

Tropas da etnia curda no Iraque tomaram Kirkuk nesta quinta-feira, expulsando os soldados do Exército iraquiano da cidade no norte do país conhecida por sua alta produção de petróleo.

O governo do Iraque enfrenta duas forças distintas e opostas no norte do país, que estão obtendo vitórias expressivas contra as forças oficiais. De um lado, a minoria étnica curda tenta expandir sua região autônoma, recuperando espaços perdidos durante o regime de Saddam Hussein.

Por outro lado, forças islamistas sunitas de um grupo chamado Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIS, na sigla em inglês) tentam tomar o norte do país para depois se encaminhar ao sul, rumo à capital Bagdá.

No dia anterior à tomada de Kirkuk pelos curdos, as forças islamistas do ISIS haviam tomado Mosul, a segunda maior cidade do Iraque. Mosul é o mais importante centro da produção de petróleo, cimento, açúcar e produtos têxteis do país. Também é um ponto chave de comércio, por estar próximo da Síria e da Turquia.

Curdos e sunitas são adversários. Muitos analistas acreditam que os insurgentes sunitas querem avançar do norte até a capital, Bagdá, e entrar em confronto com os xiitas.

Os curdos em Kirkuk seriam uma espécie de "barreira" a esse avanço. Segundo o repórter da BBC Jim Muir, que está no norte do Iraque, os insurgentes do ISIS teriam interesse em evitar confrontos com os curdos, já que seu alvo principal são os xiitas e as forças oficiais do Iraque.

Estado de emergência adiado

O Parlamento iraquiano discutiu nesta quinta-feira um pedido feito pelo primeiro-ministro, Nouri Maliki, de decretar estado de emergência.

O premiê teria pedido poderes para impor toques de recolher, restringir a liberdade de movimento dos cidadãos e censurar a imprensa. No entanto, muitos analistas acreditam que ele não conta com o apoio dos dois terços do Parlamento necessários para aprovar a medida.

Nesta quinta-feira, o debate sobre o pedido de Maliki foi adiado por falta de quórum: apenas 128 dos 325 parlamentares estavam presentes para votação.

O governo dos Estados Unidos anunciou que está considerando a possibilidade de ajudar as tropas oficiais do Iraque a combater os grupos insurgentes.

Há anos, a região de Kirkuk é palco de embates entre iraquianos árabes (sunitas e xiitas) e curdos. Nos anos do regime de Saddam Hussein, os curdos foram expulsos da cidade, em um programa oficial de "arabização" de Kirkuk. O objetivo era manter os campos de petróleo da região sob controle do governo iraquiano.

Para os curdos, que governam uma região autônoma no norte do Iraque, Kirkuk sempre "pertenceu" à sua etnia historicamente.

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