Sem euforia, Itália de Balotelli vai desfalcada a embate com Inglaterra

Treino seleção italiana (AP) Direito de imagem AP
Image caption Hotel em que a seleção está hospedada no Rio custa cerca de 900 reais por quarto por noite

A seleção italiana chega à sua primeira partida na Copa do Mundo no Brasil com desfalques e desacreditada pelos torcedores.

Depois do meia Riccardo Montolivo quebrar a perna em um dos últimos jogos amistosos antes da Copa, contra a Irlanda no fim de maio, a Itália sofreu mais um desfalque de peso: o lateral Mattia De Sciglio, titular absoluto, não poderá jogar por causa de um edema na perna esquerda, ocorrido durante um treino no Brasil.

Má notícia para o técnico Cesare Prandelli, que terá que improvisar na defesa no jogo contra a Inglaterra, neste sábado, na Arena Amazônia. A expectativa é que Gabriel Paletta e o veterano Giorgio Chiellini resguardem a lateral esquerda.

Já no ataque, Mario Balotelli parece ter sua posição assegurada e poderá fazer a diferença neste primeiro duelo. O polêmico craque do AC Milan não era certeza no time quando a seleção foi ao Brasil, mas todos os analistas apontam na sua escalação. Na opinião de muitos observadores, ele ser peça-chave na partida - se conseguir controlar seu notório mau-humor.

No ataque Balotteli, de 23 anos, deverá fazer dupla com Antonio Cassano ou Ciro Immobile. O último foi contratado recentemente pelo time alemão do Borussia Dortmund e promete ser um dos destaques da Itália no mundial.

Além de jovens talentos, Prandelli conta com jogadores experientes que foram descritos pelo jornal Corriere della Sera como "a base da seleção". Entre eles estão o goleiro Gianluigi Buffon (140 jogos com a camisa da azzurra), Andrea Pirlo (109 jogos), Daniele de Rossi (95 jogos) e Andrea Barzagli (47 jogos).

A imprensa italiana mostra respeito pelo adversário: "A Inglaterra mudou para melhor desde as quartas de final da Copa das Nações", diz o jornal La Repubblica. Esse jogo, em junho de 2012, a última partida oficial entre os dois times, foi ganho pela Itália nos pênaltis.

Sem favoritismo

Na Itália os "tifosi" (torcedores) não estão muito confiantes na conquista da Copa pela sua seleção. Prova disso é um editorial da Gazzeta dello Sport, o principal jornal esportivo da Itália, na abertura do torneio. O editor-chefe não cantou vitória antecipadamente, muito pelo contrário: ele disse que "a conquista será difícil, mas não impossível", e que a azzurra "não está entre os times favoritos".

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Image caption Balotelli parece ter sua posição assegurada no ataque itaniano

O clima não é de euforia. Os jornalistas italianos não ajudam – e reclamam de tudo: do clima úmido e quente de Manaus, dos desfalques, do campo e do fato da seleção ter que viajar mais de 11.000 quilômetros só na primeira fase do Mundial.

O custo do hotel de luxo em que a seleção está hospedada em Mangaratiba, estado do Rio, também está sendo criticado: são 300 euros por quarto por noite (cerca de 900 reais).

Muitos italianos preferem até torcer para o time do Brasil, que é visto com muita simpatia. Como Giovanna, assistente em uma loja de telefonia em Milão, que diz sorridente que "aqui todos são fãs do Brasil". Os colegas confirmam. "A Itália não vai muito longe", diz ela. Ou Stefano, diretor comercial de uma revista de moda: "prefiro torcer para os brasileiros, os italianos são muito arrogantes", diz.

É claro que, apesar dos pesares, a torcida antes do jogo com a Inglaterra deve ser grande, e na hora do jogo os torcedores vão tirar a camisa da "azzurra" do armário. Muitos deles irão às ruas acompanhar a partida em um dos telões espalhados pelas cidades italianas.

Em Milão, uma dessas áreas festistas, perto dos famosos canais da cidade (navigli), foi enfeitada com uma réplica de 4 metros de altura do Cristo Redentor, em homenagem ao Brasil. Para desgosto dos organizadores, a estátua teve que ser retirada do local. A cúria da igreja católica de Milão achou que ela era desrespeitosa.

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