França aposta na estreia para reconquistar torcedores

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Image caption Karim Benzema (à esq) é o jogador mais experiente de uma seleção sem 'problemas de ego', como a anterior

O jogo de estreia da França na Copa do Mundo, neste domingo contra Honduras em Porto Alegre, é considerado importante e até mesmo decisivo pelos franceses e pela imprensa do país. Muitos acreditam que ele permitirá sinalizar qual será a evolução da equipe, formada por vários jogadores jovens, na competição.

Considerados pessimistas em geral, os franceses não têm, no momento, grandes expectativas em relação à performance da seleção, segundo uma pesquisa do instituto Ifop para o jornal esportivo francês L’Équipe e o canal i-Télé.

Apenas 9% dos franceses acham que os "bleus" (azuis), como são chamados, poderão vencer a final. Cerca de um terço (34%) acredita que a seleção do país poderá chegar às quartas de final. Esse é o melhor resultado registrado na pesquisa do Ifop.

"O jogo de estreia contra Honduras, uma equipe bem sólida, vai mostrar se a França será capaz ou não de ir longe na Copa e se as escolhas do técnico Didier Deschamps foram corretas. A partida é determinante para a competição e para o futuro da seleção francesa", disse à BBC Brasil o garçom de bar William Pintiaux.

Para ele, a França "tem todas as chances" de avançar na Copa porque teve um "golpe de sorte" no sorteio dos adversários.

"Esse primeiro jogo é importante. Ganhá-lo nos colocaria em uma posição ideal", disse o técnico Didier Deschamps.

Vontade de sonhar

A imprensa francesa deste domingo destaca a grande importância desta primeira partida e sinaliza que se trata de uma operação de reconquista da confiança dos torcedores.

"A França tem vontade de sonhar", diz o jornal Le Parisien em sua manchete. "As razões de acreditar (na seleção), afirma o Journal du Dimanche. "Hora H", escreve na manchete o L’Équipe.

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Image caption Otimista, o Parisien estampa que a 'França tem vontade sonhar'

Na França, parece que a Copa do Mundo ainda nem começou. Nas ruas de Paris, é raro encontrar alguém usando uma camisa da seleção francesa e carros, prédios ou lojas decorados com a bandeira do país.

Na Copa de 2006, quando a França chegou à final, também havia um clima de marasmo no início da competição. Foi somente após a vitória contra a Espanha e, sobretudo, contra o Brasil, que os franceses acordaram para a competição e uma euforia geral tomou conta do país.

Após o escândalo provocado pela "greve" dos jogadores na Copa de 2010, na África do Sul, onde a França foi eliminada logo na primeira fase, a equipe dos bleus, formada atualmente por inúmeros jovens que jamais disputaram uma Copa, tenta transmitir no Brasil uma imagem mais positiva do time.

Falta de simpatia

O esforço é necessário, já que 40% dos franceses, segundo a pesquisa do Ifop, afirma "não ter simpatia" pela seleção nacional de futebol e 60% dizem não se identificar com a equipe.

No Brasil, os jogadores franceses têm aparecido sorridentes nas imagens mostradas na França e mais próximos dos torcedores. O fato de ocupar instalações (em Ribeirão Preto) bem menos luxuosas do que na África do Sul também faria parte do trabalho de imagem do grupo.

Vários franceses acham positivo a seleção não ter várias grandes estrelas nesta Copa.

O atacante Franck Ribéry, que disputou os dois últimos mundiais, não integrou a equipe em razão de problemas lombares.

Para muitos franceses, foi justamente o fato de o time reunir grandes estrelas em 2010 que impediu o avanço da equipe em razão de "problemas de ego".

"Os jogadores jovens têm muita garra e vão querer se destacar. Na seleção anterior, havia estrelas que não se entendiam em campo. Agora não há esse problema", disse à BBC Brasil um funcionário da Federação Francesa de Futebol que prefere não se identificar.

Karim Benzema, atacante do Real Madrid, é o jogador mais famoso e experiente da seleção francesa. Essa será sua primeira Copa do Mundo.

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