Com média de gols à moda antiga, primeira rodada bate recorde

Holanda comemora gol Direito de imagem Reuters
Image caption Holanda marcou cinco contra a Espanha em uma primeira rodada com recorde absoluto de gols na história do torneio

Se a Copa do Mundo é considerada a grande festa do futebol, quem está acompanhando este Mundial não pode reclamar do número de gols nem da imprevisibilidade dos resultados em campo.

A primeira rodada teve um total de 49 gols em 16 jogos, um recorde absoluto na história do torneio, sendo que essa foi a quinta edição do torneio neste formato de oito grupos e 32 seleções.

Além disso, a partir de 1962, a média de bolas na rede numa Copa nunca mais chegou a três por partida - e o patamar deste início de Mundial é de 3,06 gols por jogo.

Só nas seis edições anteriores, de 1930 a 1958, é que as médias foram todas mais altas - a maior sendo a de 1954, de 5,38 gols por jogo.

"Tem sido um começo fantástico de Copa do Mundo, com um alto nível e um futebol muito ofensivo. Há um bom número de times que pode ganhar essa Copa", se entusiasmou o experiente meia inglês Frank Lampard durante a preparação para a partida contra o Uruguai pela segunda rodada.

"Acho que estamos vendo jogos muito bons, com muitos gols. Isso torna a Copa especial, porque sempre queremos ver times ofensivos e gols", completou Michael Ballack, ex-jogador da seleção alemã que está no Brasil como comentarista de TV na rede ESPN.

Não bastasse a sensação de que a Copa do Mundo começou com jogos mais abertos e ofensivos em relação ao que vinha acontecendo, a comparação com o torneio anterior, na África do Sul, reforça ainda mais a tese.

Se aquela teve a segunda pior média de gols da história (2,29 por jogo, só melhor que Itália-1990, com 2,21), o ritmo atual pode fazer com que a Copa de 2014 alcance o total de gols de 2010 (145) ainda na primeira fase.

Viradas e goleadas

Outro número que ilustra a intensidade ofensiva dos jogos é a quantidade de vitórias com virada de placar. Já são seis no total. O Brasil, na abertura contra a Croácia, a Costa Rica, na principal surpresa até aqui ao bater o campeão mundial Uruguai, e a Suíça, com um incrível gol num contra-ataque no final do jogo frente ao Equador, são exemplos de equipes que saíram atrás do placar, mas conquistaram os três pontos.

Até chegar ao jogo 64 no Maracanã em 13 julho, a Copa atual tem tempo de sobra para superar o recorde histórico de viradas em Mundiais: tanto em 1970 quanto em 2002, foram nove.

Entre os grandes jogos até aqui, estão também duas goleadas envolvendo equipes estreladas. Por 4 a 0, a Alemanha, forte candidata ao título, venceu Portugal, de Cristiano Ronaldo, eleito melhor jogador do mundo. Antes, a Holanda, atual vice-campeã, fez 5 a 1 na revanche contra a Espanha, dona da última taça.

Essa derrota espanhola também significa algo histórico para o torneio, já que um defensor de título jamais havia sofrido tamanha derrota.

Pênaltis

Ainda que ninguém reclame do alto índice de gols marcados, a forma como alguns aconteceram gerou muito debate. Ao todo, foram seis pênaltis na primeira rodada, contra um na Alemanha, em 2006, e também um na África, em 2010. A incidência pode ser resultado de uma orientação do chefe de arbitragem da Fifa, Massimo Busacca, que disse que a determinação aos juízes foi de marcar penalidade em caso de atacantes agarrados na área.

Foi desta forma, inclusive, que o Brasil marcou contra a Croácia na estreia, quando Fred desabou no gramado alegando ter sido puxado pelo rival. O técnico brasileiro, Luiz Felipe Scolari, disse ter visto pênalti. "Não tem mais pênalti para o Brasil. Vocês falaram tanto do Fred, e agora?", questionou Felipão ontem, depois de Brasil x México, reclamando de um lance parecido no lateral Marcelo. E já abrindo a segunda rodada com polêmica.