Brasil pega Chile, 'freguês indesejado'; Valdívia: 'História é para os museus'

Torcedor brasileiro e chileno | Crédito: Reuters e Getty Direito de imagem Reuters Getty
Image caption Chilenos dizem temer arbitragem no jogo de sábado, no Mineirão, e Scolari afirma que não queria enfrentar os rivais sul-americanos

Um olho na história das Copas e pode-se dizer que o Brasil irá enfrentar, nas oitavas de final, o adversário dos sonhos. Afinal, a seleção brasileira ganhou do Chile nas três vezes em que os dois países se enfrentaram, inclusive em dois encontros recentes (1998 e 2010), justamente na fase de oitavas. Mas, pelo menos no discurso, o Brasil vai pegar o rival mais indesejado posível no início do mata-mata.

"Joguei duas vezes com o Chile e vi as dificuldades da seleção brasileira e qualidades deles. Se eu pudesse escolher, escolheria outra seleção. É uma seleção sul-americana. Catimba, qualidade, organização, tudo isso o Chile tem", analisou o técnico Luiz Felipe Scolari, que se referia a dois amistosos disputados no ano passado.

Os jogadores da seleção brasileira elogiaram o Chile e evitaram mostrar qualquer tipo de desprezo pelo freguês histórico. Os chilenos, por sua vez, adotaram o discurso de "mudar a história". Chama a atenção também o medo de que a arbitragem possa ter alguma influência na partida de sábado, no Mineirão, em Belo Horizonte.

"A história foi feita para ser mudada. Vai ser extremamente complicado para nós e para o Brasil também. O Chile não se cansa, não dá nada por perdido, e o Brasil é um time aguerrido, que pressiona com intensidade e está jogando em casa. Mas a história está nos museus e esperamos poder mudar o retrospecto negativo que temos contra o Brasil", comentou o meia chileno Valdívia, que defende o Palmeiras.

O Chile caiu no caminho do Brasil por ter perdido por 2 a 0 para a Holanda, nesta segunda-feira, na Arena São Paulo, em Itaquera. O time teve apoio das arquibancadas e dominou a partida, mas não criou chances claras de gol e sucumbiu ao forte contra-ataque holandês. Jogadores chilenos reclamaram da arbitragem de Bakary Gassama, de Gâmbia.

"É difícil não falar de arbitragem. Colocam um árbitro de Gâmbia, sem personalidade nem critério. Esperamos que seja algo limpo e igualado quando enfrentarmos o Brasil", disse Valdívia.

"Sim, a arbitragem é super preocupante. Hoje se notou muito, vamos torcer para que não se note contra o Brasil", concordou o meia Vidal. "Mais que medo, é um pouco de receio por situações que passam no campo. Hoje, os lances duvidosos foram todos para a Holanda. Contra o Brasil, isso aumentaria 100%. Não é medo, mas é um barulho constante", disse Beausejour.

"Não queremos que aconteça o que aconteceu com o Irã contra Argentina, com a Croácia contra o Brasil. Que tudo se desenvolva em campo, que ganhe o melhor e que, uma vez finalizado o jogo, não se tenha de falar dos árbitros", alertou Sebastian Beccacece, argentino, auxiliar do treinador Jorge Sampaoli.

Retrospecto

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Image caption Scolari: "Joguei duas vezes com o Chile (...) Se eu pudesse escolher, escolheria outra seleção"

A primeira vez que Brasil e Chile se enfrentaram nas Copas foi em 1962, justamente quando os chilenos eram os anfitriões. A seleção brasileira ganhou por 4 a 2 na semifinal, com dois gols de Garrincha e dois de Vavá, e se sagraria bicampeã do mundo posteriormente.

Nas oitavas de 1998, o Brasil ganhou por 4 a 1, com dois de Ronaldo e dois de César Sampaio. Exatos quatro anos atrás, na África do Sul, a seleção voltou a vencer, agora por 3 a 0, com gols de Robinho, Juan e Luis Fabiano. Aquele duelo também foi de oitavas de final e, curiosamente, também em um dia 28 de junho.

Daquela seleção brasileira de Dunga, apenas cinco jogadores fazem parte do grupo atual de Scolari e só dois (Júlio César e Daniel Alves) foram titulares em Johanesburgo e deverão ser também no Mineirão. Já da seleção chilena, então comandada por Marcelo Bielsa, pelo menos cinco jogadores que foram titulares em 2010 deverão ser novamente agora. Praticamente meio time.

"Mudaram alguns jogadores e evoluímos em termos de personalidade, maturidade", comentou Valdívia. "Quatro anos atrás éramos jogadores que acabávamos de chegar ao futebol do exterior. Somos um Chile mais maduro, com mais experiência, com jogadores que atuam nas principais ligas", analisou Gonzalo Jara. "A história não joga. Já enfrentamos o Brasil na África do Sul. Jogamos também com a Espanha, que para os chilenos tinha muito significado, por coisas do passado. Mas realmente a história não joga", completou.

Em 2010, o Chile perdeu da Espanha na fase de grupos por 2 a 1. Quatro anos depois, no Maracanã, venceu por 2 a 0 e eliminou os campeões do mundo, no que foi a primeira vitória da história dos chilenos sobre os espanhóis.

Amistosos de 2013

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Image caption Chile foi derrotado para a Holanda, mas pode ser 'pedra no sapato' do Brasil

Talvez por isso, o Brasil mantenha um discurso de tanto respeito ao rival de sábado. "Excelente adversário, já mostrou isso na Copa. Joga com muita intensidade, joga futebol, é bonito ver o Chile jogar porque busca o gol", falou o zagueiro David Luiz.

"É uma grande equipe, com vários jogadores de qualidade, tivemos um amistoso muito forte contra eles", disse o volante Paulinho, que pode perder a vaga de titular para Fernandinho, que entrou bem na goleada por 4 a 1 sobre Camarões, nesta segunda, em Brasília.

Desde que Luiz Felipe Scolari reassumiu o comando da seleção, empatou amistoso por 2 a 2 com o Chile no Mineirão, mesmo palco do jogo de sábado, em abril do ano passado. E depois ganhou por 2 a 1 em Toronto, em novembro.

O jogo de abril teve pouquíssimos atletas do grupo atual e marcou a chance de Ronaldinho Gaúcho fazer parte da nova "família Scolari". Não deu certo para o meia do Atlético Mineiro. Dos 16 jogadores que participaram daquele jogo, somente Paulinho e Neymar foram titulares, e o zagueiro Henrique entrou no segundo tempo.

Já o jogo de novembro, em Toronto, teve o time base da Copa atual. Somente dois atletas entraram naquela partida e não seriam convocados para o Mundial: Lucas Moura e Robinho, que marcou o gol da vitória. O time do Chile que começou a partida em Toronto tinha sete jogadores que fazem parte da base titular do técnico Jorge Sampaoli nesta Copa do Mundo.

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