Fifa absolve torcedores mexicanos acusados de homofobia

  • 23 junho 2014
Torcedor mexicano (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption ONG que luta contra a discriminação no futebol criticou a decisão da Fifa

A Fifa absolveu nesta segunda-feira a Federação Mexicana de Futebol em um caso em que torcedores estavam sendo acusados de gritar palavras homofóbicas durante o jogo contra a equipe de Camarões, no dia 13, em Natal.

O Comitê Disciplinar do órgão máximo do futebol mundial decidiu julgar a Federação depois que muitos torcedores mexicanos foram ouvidos gritando a palavra “puto” todas as vezes em que o goleiro camaronês cobrava um tiro de meta no jogo, válido pela primeira rodada da Copa.

Mas a Fifa afirmou que os gritos em questão não eram insultos. “O Comitê Disciplinar decidiu que o incidente em questão não é considerado ofensivo nesse contexto específico. Todas as acusações contra a Federação Mexicana foram descartadas.”

A Fifa ainda não se pronunciou sobre outros casos que estão sendo investigados no momento, ligados a racismo e antissemitismo envolvendo torcedores do Brasil, além de Croácia e Rússia.

No caso dos brasileiros, eles estão sendo acusados (como os mexicanos) de gritar palavras homofóbicas contra jogadores do time adversário na partida contra o México, em Fortaleza, no dia 17.

Já os croatas foram acusados de erguer cartazes neonazistas no jogo de abertura contra o Brasil, em São Paulo enquanto os russos fizeram o mesmo na partida contra a Coreia, em Cuiabá.

Críticas

A ONG Fare, um grupo europeu que luta contra a discriminação no futebol, criticou a decisão da Fifa.

“Uma política de tolerância contra todas as formas de discriminação significa que a Fifa vai precisar tomar decisões difíceis”, disse Claudia Krobitzsch, da Fare. “No longo prazo, esse é o único jeito de lidar com esse problema grave no futebol.”

A Fifa introduziu regras duras no ano passado para tentar conter uma onda crescente, na Europa, de ofensas racistas de torcedores contra jogadores.

A punição nesses casos afeta as equipes desses torcedores; elas podem ser obrigadas a disputar partidas a portas fechadas e, diante de novos casos, sofrer redução de pontos, rebaixamento ou expulsão de uma competição.

Diversos jogadores foram vítimas de racismo nos últimos meses. No caso mais emblemático, um torcedor atirou uma banana contra o lateral da seleção brasileira Daniel Alves, durante partida do Barcelona na Espanha. Ele comeu a fruta e continuou a jogar.