EUA pressionam Sudão para que perdoada de pena de morte possa deixar país

  • 25 junho 2014
Meriam Ibrahim | AFP Image copyright AFP
Image caption Meriam Ibrahim foi criada como cristã, mas um juiz decretou que ela deveria ser considerada muçulmana, religião de seu pai

Os Estados Unidos estão pressionando o Sudão para permitir que uma mulher que foi condenada à morte por abandonar o Islã - e depois perdoada - possa deixar o país livremente.

Meriam Ibrahim e o marido foram interrogados na terça-feira por agentes de segurança sudaneses no aeroporto da capital, Cartum, quando tentavam embarcar para os EUA.

Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado americano, Marie Harf, disse que o governo sudanês lhe havia dado garantias de que Meriam e sua família estão bem.

"Eles não foram detidos. O governo nos deu garantias da sua segurança", disse Harf. "A Embaixada (americana) está e continuará altamente envolvida com a família e o governo (sudanês)."

Meriam, de 27 anos, foi condenada à morte em maio por abandonar a religião islâmica, uma decisão que causou indignação internacional. Na última segunda-feira, a decisão foi reavaliada e ela foi libertada.

Durante o tempo que passou na prisão, Meriam deu à luz uma menina. Na ocasião, autoridades do Judiciário disseram que ela poderia cuidar de sua filha por dois anos antes do cumprimento da sentença.

Apostasia

Segundo os advogados do casal, Meriam, o marido e dois filhos estariam sendo mantidos em um prédio da segurança no aeroporto.

Uma autoridade do governo disse à BBC que, apesar de ser sudanesa, a mulher estava tentando saír do país com um passaporte de emergência e um visto americano.

Ela deverá agora receber um passaporte comum e um visto para deixar do país, informou o Ministério das Relações Exteriores sudanês.

Meriam foi criada como cristã ortodoxa, mas um juiz decretou que ela deveria ser considerada muçulmana, religião de seu pai.

Meriam se recusou a renunciar ao cristianismo e foi condenada à morte por apostasia - abandono da religião.

Seu casamento em 2011 com Daniel Wani, que é cristão do Sudão do Sul e cidadão americano, foi anulado. Ela tamnbém foi condenada a cem chibatadas por adultério, já que a união não é considerada válida sob a lei islâmica.

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