A ciência do pênalti perfeito

Goleiro da Costa Rica defende pênalti da Grécia (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption 'Segredos' para bater pênalti podem ter ajudado Costa Rica a passar pela Grécia

As temidas cobranças de pênalti já deram o ar de sua presença nessa Copa e deixaram - e ainda podem deixar - muita gente com os nervos à flor da pele.

Muita gente credita uma boa cobraça apenas à sorte e ao estado emocional do cobrador. Mas especialistas da Universidade de Bath, na Inglaterra, foram mais longe, estudaram cobraças de pênalti e tentaram dar uma abordagem científica ao assunto.

"O sucesso nos pênaltis é algo que as equipes podem melhorar", diz o pesquisador Ken Bray, da Universidade de Bath, autor do livro How to Score: Science and the Beautiful Game (Como marcar: a ciência e o jogo bonito, em tradução livre).

De acordo com Bray, há três pontos principais que devem ser considerados para um chute perfeito e que pode decidir o destino de uma seleção.

1 - Escolha os melhores, na ordem inversa

Bray argumenta que a escolha dos batedores não deve se limitar a pedir que eles se disponibilizem a bater os pênaltis: o técnico deve estar familiarizado com o desempenho dos seus jogadores e fazer uma lista de acordo com esses dados.

Além disso, de acordo com as estatísticas analisadas pelo perito, a ordem dos craques que irão chutar à gol também é importante.

"A pesquisa mostrou que é melhor que o primeiro a chutar seja o menos experiente e que se reserve para o final que tem mais experiência", diz Bray.

2 – Mire na 'zona indefensável'

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Depois de analisar horas de filmagens, Bray identificou uma "curva de tiro" que mostra os caminhos que um goleiro percorre para segurar um pênalti.

"Nossa pesquisa mostrou que os goleiros têm um limite de alcance quando tentam defender a bola", diz Bray.

O estudo sugere que, fora desta curva, há uma "zona indefensável" que o batedor deve ter como alvo, aumentando enormemente suas chances de marcar.

"Pouco mais de 80% dos chutes a gol, cerca de quatro em cada cinco, lançados nesta área foram bem-sucedidos", avalia o cientista, segundo estudo da Universidade de Bath.

3 – Pense positivo

Por fim, tão importante quanto os dois itens anteriores, está a preparação mental dos jogadores que vão dar os passos rumo ao chute a gol.

Se há um momento na partida em que a tensão é grande, é este!

Bray identifica dois tipos de estresse que podem afetar o desempenho dos atletas: um sintomático, como garganta seca, aumento da frequência cardíaca e suadeira nas maõs; e o outro cognitivo, que leva aos pensamentos negativos de fracasso diante de tamanho desafio.

Como evitar que esse peso nas costas afete os jogadores nesse momento precioso?

Bray disse que técnicas de concentração e pensamento positivo são ferramentas poderosas para lidar com este problema.

É melhor, portanto, imaginar o chute colocado no ângulo, naquele lugar "indefensável", acertando a rede, como num filme.

"Estas são as imagens mentais que os jogadores devem construir em suas cabeças pouco antes de chutar", diz Bray.

De acordo com estatísticas dos Mundiais anteriores, times que ainda estão na disputa, como a Alemanha (cerca de 80%), Argentina (60%) e Brasil (cerca de 55%) têm alta taxa de sucesso nos resultados nos pênaltis.

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