Mania nacional, bolões da Copa se multiplicam e viram febre na internet

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Image caption No Vip Predictor, há 60 mil bolões criados para a Copa do Brasil, incluindo bolões corporativos

Vinicius Tanaka Balogh participa de bolões da Copa do Mundo desde 1986, quando era uma criança e apostava com os amigos da escola. Neste Mundial de 2014, no entanto, bateu um recorde próprio: ele está participando de cinco bolões simultâneos, sendo dois com amigos dos EUA (onde mora), e três com diferentes grupos de amigos brasileiros, com quem disputa, à distância, a melhor pontuação nos jogos. Ele apostou um total de R$ 400.

"Eu já curto Copa ao extremo, então no meu caso os bolões não mudam a forma como assisto ao Mundial. Mas no geral o pessoal fica mais engajado por causa das apostas que fez nos bolões", diz o administrador paulista de 37 anos.

"Estou quase em último em todos, mas é muito divertido. Os amigos mandam as atualizações do bolão, se encontram depois dos jogos, tiram sarro. É uma desculpa para conversar. E tem uma energia diferente pelo fato de a Copa ser no Brasil."

Tradicionais entre boleiros brasileiros sobretudo em época de Copa, os bolões parecem ter virado uma febre ainda maior neste Mundial brasileiro, sobretudo para quem quer apostar online.

Entre sites e aplicativos, há ao menos dez plataformas para criar bolões ou inscrever seus palpites. Maior deles, o Vip Predictor diz à BBC Brasil que foram criados 60 mil bolões em seu site nesta Copa, contra 20 mil em 2010 (quando o site ainda se chamava Bolão Vip).

Alguns desses participantes foram pegos de surpresa por algumas zebras desta Copa, como a inédita ascensão da seleção costa-riquenha.

"O meu bolão mais tradicional foi por água abaixo por causa da Costa Rica", brinca o vendedor curitibano Marcelo Fonseca Ferreira, 31, que está participando de nada menos que sete bolões simultâneos – dois com amigos, um com familiares, um no trabalho e três com desconhecidos, em portais de internet.

"O principal, além da curtição e de tirar sarro, é ver quem sabe mais sobre futebol. Porque por mais que você tenha sorte, os que vão chegar mais perto dos resultados são os que conhecem mais."

Mas apostas em azarões podem render seus pontos. O bolão da emissora ESPN, por exemplo, funciona como um mercado de ações, segundo Marcelo Pacheco, vice-presidente de marketing. "Se você acertar a aposta em um resultado menos esperado, vai pontuar mais do que os demais", diz à BBC Brasil. O site está com 50 mil pessoas cadastradas, que formam cerca de 5 mil bolões.

Procura

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Image caption Leonardo Carreiro diz que o bolão aumenta o interesse até por jogos menos interessantes da Copa

Os tamanhos dos bolões variam de algumas dezenas até milhares de participantes, diz Yuri Soledade, cofundador do Vip Predictor. "Na primeira fase da Copa, o site teve 7 milhões de visitantes."

Outro site, o Hiperbolão, ainda não existia na Copa passada, mas tem cerca de 3 mil participantes em seu bolão do Mundial. Em comparação, eram cerca de 300 no bolão do mais recente Campeonato Brasileiro.

Ao contrário do Vip Predictor, onde indivíduos podem organizar seu próprio bolão com amigos, no Hiperbolão trata-se de um único grande bolão, no qual participantes acumulam pontos quando acertam os palpites e concorrem a prêmios.

"O bolão é algo bem brasileiro, e a Copa no Brasil fez a procura ficar maior", diz à BBC Brasil Roberto Gonçalves, organizador do Hiperbolão.

O gerente comercial Leonardo Carreiro, está participando de dois bolões online da Copa, com amigos, e se arrependeu de não ter participado de mais deles.

"A oferta de sites e a quantidade de pessoas com vontade de participar é muito maior (do que em Copas passadas)", opina. Em um dos bolões, ele apostou R$ 10. Em outro, o prêmio para o primeiro e segundo lugares é um jogo de PlayStation e uma camiseta de futebol. Já há conversas para organizar um churrasco pós-Copa para a entrega dos presentes.

"O bolão aumenta nosso interesse pelos jogos. Tenho um amigo que até narra as partidas pelo Whatsapp. E até jogos bestas, entre times menores, ganham importância. Mais importância até, porque são times que conhecemos pouco e que acabam tornando o fiel da balança e fazem a diferença nas colocações."

Empresas

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Image caption Vinicius Tanaka Balogh está participando de cinco bolões ao mesmo tempo

Uma recente pesquisa sobre hábitos de consumo durante a Copa pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) aponta que 29% dos 2,5 mil entrevistados nas 12 cidades-sede pretendiam ter gastos extras com bolões neste Mundial.

E muitos desses bolões são feitos dentro das empresas. Outra pesquisa, da consultoria em RH Robert Half, diz que, de cem empresas de diferentes perfis, quase um terço planejou bolões entre seus eventos para os Mundiais.

Esses bolões corporativos são, inclusive, uma das apostas do Vip Predictor para lucrar neste Mundial: o site customiza hotsites de bolões para empresas como Fiat, Nike e Netshoes, exclusivos para os funcionários de cada empresa disputarem entre si com seus palpites sobre os jogos, com prêmios para os vencedores.

"Nossa receita vem dos bolões empresariais, em que criamos um ambiente virtual independente para cada empresa, e do marketing tradicional, com propagandas no site", diz Soledade.

Para manter sua fonte de receita após a febre da Copa, a aposta do Vip Predictor, da ESPN e do Hiperbolão é organizar bolões envolvendo mais campeonatos, nacionais e internacionais.

No caso do Vip Predictor, outro esforço é pela internacionalização. Segundo Soledade, o site – que tem interfaces em inglês e espanhol – tem recebido acessos de 130 países no total.

Apesar de muitos bolões entre amigos envolverem dinheiro informalmente, Soledade diz que "não é um site de apostas financeiras" – já que a legislação brasileira proíbe a exploração de jogos de azar.

"É algo para se divertir com os amigos", alega. "É um motivo para acompanhar as partidas junto, trocar mensagens e opiniões sobre os jogos."

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