Hamas e Israel planejam cessar-fogo 'nas próximas horas'

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Image caption Tensões aumentaram após morte de quatro adolescentes

O grupo palestino Hamas e Israel devem anunciar nas próximas horas um cessar-fogo após trocarem tiros ao longo dessa semana próximo à Faixa de Gaza, segundo a BBC apurou.

Uma fonte ligada ao grupo palestino disse que a trégua foi intermediada por funcionários de inteligência egípcios.

Dezenas de foguetes lançados de Gaza atingiram o sul de Israel nos últimos dias, e o país respondeu com ataques aéreos.

Enquanto isso, há tensão em Jerusalém Oriental por causa do funeral de um adolescente palestino assassinado.

Já houve dois dias de confrontos entre palestinos e a polícia por causa do sequestro e assassinato do adolescente Mohammed Abu Khdair, de 17 anos.

O motivo de sua morte ainda não foi confirmado, mas suspeita-se que tenha sido um ato de vingança pelo recente assassinato de três adolescentes israelenses na Cisjordânia. A polícia israelense está investigando.

O funeral do adolescente palestino foi adiado, o que aumentou a tensão.

Contatos 'intensos'

A fonte do Hamas disse à BBC que "contatos intensos" entre o grupo e autoridades egípcias "conseguiram atingir uma nova trégua entre o Hamas e Israel", e que um cessar-fogo seria anunciado em poucas horas.

A fonte disse que o Hamas estava preparado para parar de lançar foguetes em troca de uma de garantia de Israel de que encerrará os aéreos ataques.

O correspondente da BBC em Jerusalém, Kevin Connolly, diz que o Hamas, um desdobramento da Irmandade Muçulmana, ficou enfraquecido após movimentos do governo militar egípcio para esmagar a Irmandade em casa e não poderia sustentar, sozinho, uma escalada das tensões. Israel argumenta que só ataca Gaza em resposta ao lançamento de foguetes.

O correspondente da BBC na Cidade de Gaza, Rushdi Abualouf, diz que os contatos entre o Hamas e o Egito parecem ter acalmado a situação no local.

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Image caption Adolescente palestino Mohammed Abu Khdair foi visto entrando em um carro

O número de foguetes disparados contra o sul de Israel caiu e Israel não lançou novos ataques a Gaza, diz ele.

Anteriormente, Israel havia enviado forças extras para a fronteira com a Faixa de Gaza, depois que vários foguetes atingiram alvos no sul do país.

O movimento israelense levou os temores de uma escalada da violência.

No entanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Israel só iria agir se houvesse novos ataques com foguetes.

"Estamos prontos para duas opções no sul. Se os ataques em direção a nossas cidades cessarem, nossas ações também cessarão. A segunda opção é os ataques continuarem, o que levará nossas forças a agir vigorosamente no local ", disse ele.

Na quinta-feira, 10 palestinos ficaram feridos em um ataque aéreo israelense em Gaza. Alertas de ataque aéreo soaram em comunidades em todo o sul de Israel e há relatos de que um soldado foi levemente ferido por um ataque de foguetes em Eshkol.

Funeral de garoto palestino

Em Jerusalém Oriental, o funeral de Mohammed Abu Khdair estava programado para ocorrer após as orações de meio-dia de quinta-feira.

Com o horário do enterro se aproximando, a família acusou as autoridades israelenses de segurar o corpo desnecessariamente – o que foi negado pela polícia.

Autoridades disseram que o funeral tinha sido adiado para que um exame pudesse ser concluído. Segundo a família do adolescente, a polícia disse que o seu corpo seria liberado nesta sexta-feira, mas ainda pode haver atrasos.

A autópsia está sendo conduzida por médicos palestinos e israelenses.

O adolescente foi visto sendo forçado a entrar em um carro em Shufat, Jerusalém Oriental, na manhã de quarta-feira, e seu corpo foi encontrado mais tarde em Jerusalém Ocidental.

Isso ocorreu depois que os corpos dos três seminaristas israelenses foram encontrados perto da cidade de Hebron na segunda-feira, duas semanas e meia após eles serem sequestrados. Eles foram enterrados na terça-feira.

Netanyahu culpou o Hamas pelas mortes e pediu ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, que desfaça o acordo de seu movimento, o Fatah, com o grupo. O Hamas negou envolvimento com os assassinatos.

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