Máfia dos ingressos: sobrinho de Blatter pode ser chamado a depor

Ray Whelan, acusado de chefiar máfia de ingressos na Copa, é preso no RJ | Crédito: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Britânico Ray Whelan (esquerda), acusado de chefiar máfia de ingressos na Copa, é preso no Rio de Janeiro

Horas após a prisão do britânico Raymond Whelan, CEO da Match, empresa parceira da Fifa que detém o direito de venda de ingressos e pacotes da federação, o delegado responsável pelo caso afirmou que pode chamar para depor Phillipe Blatter, sobrinho do presidente de Fifa, Joseph Blatter.

"Não descartamos a possibilidade de chamar Phillip Blatter para prestar depoimento", disse Fabio Barucke, delegado titular da 18ª DP do Rio de Janeiro, que é responsável pelo caso da máfia dos ingressos. Phillip é um dos sócios da Match.

Raymond Whelan foi detido na tarde desta segunda-feira após ser acusado de fornecer ilegalmente entradas de jogos da Copa do Mundo para o esquema de comércio ilegal que estaria em curso desde antes do início do Mundial no Brasil.

O britânico acabou sendo liberado de madrugada após conseguir um habeas corpus.

Há suspeitas de que os envolvidos vendiam ingressos de cortesia dados pela Fifa a ONGs, federações e jogadores a preços que poderiam chegar a até R$ 35 mil. A polícia já apreendeu ingressos, máquinas de cartão de crédito, dinheiro e computadores – 12 pessoas já foram presas.

Segundo o inquérito, o grupo teria atuado em quatro Copas e poderia ter levantado até R$ 200 milhões por torneio.

Em comunicado, a FIFA disse que continua colaborando plenamente com as autoridades locais e fornecerá todos os detalhes solicitados para auxiliar nesta investigação em andamento.

"A FIFA gostaria de reiterar a sua posição firme contra qualquer forma de violação da lei criminal e dos regulamentos de emissão de ingressos. A FIFA está apoiando totalmente as autoridades de segurança nos nossos esforços conjuntos para reprimir todas as vendas de ingressos não autorizadas", informa o órgão.

Fofana

Segundo o delegado, Whelan disse ter amizade com o franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, que seria um dos suspeitos de chefiar a quadrilha.

Ele foi preso na semana passada em um apartamento do ex-jogador Junior Baiano, na Barra da Tijuca.

Whelan, segundo o delegado, negou que tivesse feito negociações ilegais para Fofana. "O que não se sustenta (a negação de Whelan) porque temos muitas evidências que provam o contrário", disse o delegado.

Direito de imagem AFP
Image caption Prisão ocorreu no Copacabana Palace

Questionado sobre o papel de Whelan como chefe da quadrilha, o delegado hesitou. "Nessa altura não dá pra falar nisso. Ele é o facilitador dos ingressos, é um elo importante entre a quadrilha e Fifa."

Barucke também adiantou que o suspeito dormirá na delegacia e que ainda não se sabe se deporá ou não na manhã desta terça-feira. Caso seus advogados decidam pelo depoimento, ele será ouvido às 9h na Polinter.

Diogo Malan, um dos advogados de Whelan, disse que ainda não havia pedido o habeas corpus de seu cliente e que não poderia confirmar se ele irá depor nesta terça.

Segundo o delegado, há divergências entre os advogados do britânico.

Barucke confirmou ainda que o britânico será acusado pelo artigo 41 do estatuto do torcedor, ou seja, fornecimento ilegal de ingressos para cambismo, que daria até 4 anos de prisão, além de associação criminosa.

Atlanta

Whelan disse, segundo o delegado, que a Match vendeu ingressos para a empresa de Fofana, a Atlanta Sportif, mas de maneira totalmente legal.

Mais cedo, a Match Hospitality anunciou que iria bloquear os pacotes vendidos para a Atlanta Sportif, que incluem reserva em hotéis e ingressos vip, e para outras três empresas.

"Em decorrência da prisão de Lamine Fofana, CEO da Atlanta Sportif, por ligação com revenda ilegal [de ingressos], a Match Hospitality está cancelando todos os pacotes de hospitalidade comprados pela Atlanta Sportif para os jogos remanescentes", disse a empresa, em nota.

As outras companhias são: Reliance Industries Ltd, Jet Set Sports e Padmodzi.

Ajuda internacional

Investigadores da polícia civil haviam revelado mais cedo nesta segunda-feira que a polícia tem recebido ligações de vários países oferecendo ajuda nas investigações e dizendo que a Match já estava no radar dessas polícias.

Segundo eles, foram apreendidos no quarto de Whelan telefones e 100 ingressos. A polícia pediu imagens do circuito interno do Copacabana Palace, hotel onde ele estava hospedado e local onde a prisão ocorreu.

Barucke disse ainda que outras sete pessoas devem ser presas nos próximos dias e que várias outras estão sendo investigadas.

Notícias relacionadas