Em visita de líder chinês, Dilma pede mais investimentos em infraestrutura

Xi Jinping e DIlma Rousseff em Brasília (foto: AFP) Direito de imagem AFP
Image caption China diz estar disposta a colaborar com o Brasil na contrução de ferrovias e obras

Após receber em Brasília o mandatário chinês, Xi Jinping, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que o Brasil conta com a China para tirar do papel os planos do governo para investimentos em infraestrutura.

"Apresentei ao presidente Xi Jinping oportunidades que se abrem em licitações nos setores ferroviário, portuário e aeroviário. Aqui as empresas chinesas encontrarão segurança jurídica, marco regulatório estável e serão muito bem-vindas", afirmou Dilma ao lado do líder chinês, que realiza uma visita de Estado ao Brasil.

Segundo a presidente, o programa de investimentos em logística do governo – com gastos estimados em R$ 240 bilhões e o objetivo de reduzir o custo de produzir no país – alçará as relações Brasil-China a outro patamar.

Dilma disse ter reiterado ao colega chinês sua "expectativa sobre a participação de empresas chinesas" em concessões a serem abertas pelo governo, em especial para trecho da ferrovia Transcontinental que ligará Lucas do Rio Verde (MT) a Campinorte (GO).

A obra é de interesse especial dos produtores de soja, que com a ferrovia ganhariam uma alternativa mais barata para transportar o grão até os portos por onde são exportados. A ferrovia, ressaltou Dilma, integra um projeto ainda mais amplo, de conectar o Brasil a portos peruanos no Pacífico por meio de trens.

Em resposta, o presidente chinês disse em seu discurso que está "disposto a colaborar com o Brasil na construção de ferrovias e obras de infraestrutura".

Carne bovina

Dilma agradeceu a China por encerrar o embargo para as exportações de carne bovina brasileira, o que, segundo a presidente, "abre grandes oportunidades para o agronegócio" nacional. Dilma diz ter insistido, no diálogo com o chinês, quanto à "necessidade de diversificar e agregar valor” nas exportações brasileiras para a China.

O predomínio de matérias-primas (particularmente soja, minério de ferro e petróleo) na pauta de vendas brasileiras para a China é uma das principais queixas do Brasil na relação com a nação asiática.

Economistas consideram que a exportação de produtos industrializados, com alto valor agregado, é mais benéfica do que a exportação de matérias-primas, já que sua produção envolve mais mão-de-obra e atrai mais recursos para um país.

Nos últimos anos, o governo tem dito que diversificar as exportações brasileiras para a China é uma das prioridades de sua política comercial. A proporção de produtos industrializados na pauta de exportações do Brasil para a China, porém, só tem diminuído.

Em seu discurso, Xi fez uma menção discreta ao tema, dizendo apenas que a China está disposta "a elevar o nível de nossa relação comercial em todos os aspectos."

Belo Monte e Tapajós

Após o encontro, foram fechados 54 acordos entre os dois países.

Parte dos entendimentos trata da cooperação na área energética, um dos setores em que chineses e brasileiros mais têm se aproximado nos últimos anos.

Um acordo entre a estatal Eletrobrás e a chinesa State Grid permitirá a participação da companhia chinesa na construção da linha de transmissão para a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Outro acordo, entre Eletrobrás, Furnas e o grupo de Três Gargantas, visa garantir a participação chinesa na licitação para a construção da usina hidrelétrica do Rio Tapajós.

Os dois empreendimentos são alvos de críticas de ambientalistas e comunidades locais.

Os acordos firmados cobrem ainda a facilitação de vistos de negócios entre os dois países e o monitoramento remoto da Amazônia (para fins militares e o controle do desmatamento, segundo o governo).

Também foram firmados acordos entre o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e bancos estatais chineses para que atuem em conjunto, particularmente na África, no financiamento de investimentos nas áreas de energia, infraestrutura e telecomunicações.

Bancos chineses também fecharam acordos para a concessão de financiamentos à mineradora Vale, maior empresa privada do Brasil e que tem os chineses como principais clientes.

Negócios e investimentos

Na visita, também se anunciaram transações comerciais e investimentos chineses no Brasil. A Embraer fechou acordos para a venda de 60 aviões para companhias da China; o Banco de Construção da China divulgou a compra de ações do brasileiro BicBanco e a empresa chinesa Sany anunciou investimento de US$ 300 milhões para a construção de uma fábrica de máquinas para a construção civil em Jacareí (SP).

Outros acordos firmados buscam ampliar o ensino de chinês em universidades brasileiras, por meio da abetura de Institutos Confúcios (que difundem a língua e a cultura chinesas mundo afora).

O governo de Tocantins firmou com os chineses um acordo para a construção de um data center (centro de armazenagem de dados) no Estado e a modernização de sua estrutura de tecnologia de informação. Os investimentos, ao custo de US$ 100 milhões, serão financiados pelo Banco de Desenvolvimento da China.

Também se assinou acordo para que a Baidu, maior site de buscas da China e terceiro maior do mundo, passe a operar no Brasil. Dilma e Xi Jinping inauguraram a ferramenta na cerimônia ao fazer uma busca.

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