ONU pede cessar-fogo na Faixa de Gaza

  • 12 julho 2014
Foto: AP Image copyright BBC World Service
Image caption Colunas de fumaça são vistas na Faixa de Gaza depois de um ataque israelense

O Conselho de Segurança da ONU pediu neste sábado um cessar-fogo entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza.

Todos os 15 membros do conselho aprovaram a declaração pedindo por calma dos dois lados e o início de negociações de paz.

Esta é a primeira vez desde o início da ofensiva israelense que o Conselho de Segurança divulgou uma declaração. Até este sábado os membros do conselho estavam divididos a respeito de qual seria a resposta.

O correspondente da BBC na ONU Nick Bryant afirmou que o problema entre os membros era encontrar as palavras certas e mais significativas para os países árabes, representados no conselho pela Jordânia, concordarem com texto final.

"Os membros do Conselho de Segurança expressaram preocupação profunda em relação à crise na Faixa de Gaza e à proteção e bem-estar dos civis de ambos os lados", afirmou o conselho no documento divulgado neste sábado.

"Os membros do Conselho de Segurança também pedem respeito à lei humanitária internacional, incluindo a proteção de civis", prosseguiu a declaração.

"Os membros do Conselho de Segurança também expressam o apoio à retomada das negociações diretas entre israelenses e palestinos com o objetivo de chegar a um acordo de paz amplo baseado na solução de dois Estados."

Enquanto a ONU divulgava a última declaração do Conselho de Segurança, os confrontos continuaram neste sábado.

Segundo fontes palestinas, pelo menos 156 pessoas já morreram na região desde que Israel começou os ataques há cinco dias.

Um ataque aéreo neste sábado na Cidade de Gaza matou 15 pessoas, de acordo com autoridades locais, atingindo uma casa e uma mesquita.

Outras 35 pessoas ficaram feridas, incluindo chefe de polícia de Gaza, Tayseer al-Batsh, que era o dono da casa atingida no bombardeio.

Israel, por sua vez, afirmou cerca de 90 foguetes foram disparados de Gaza contra o seu território apenas no sábado.

Os israelenses também informaram que interceptaram três foguetes disparados contra Tel Aviv a partir do território na costa controlado por militantes islâmicos do Hamas, enquanto outros foguetes disparados da Faixa de Gaza atingiram a Cisjordânia.

O governo de Israel prometeu continuar com os ataques até que os disparos de foguetes contra seu território sejam suspensos. Cinco israelenses ficaram feridos nesta semana devido aos foguetes e mísseis palestinos.

Alerta

Israel alertou os moradores do norte da Faixa de Gaza para abandonarem suas casas neste sábado, "para sua segurança".

Mas, o Ministério do Interior de Gaza criticou o alerta, chamando de "guerra psicológica" e pediu que os moradores da região continuassem em casa, segundo a agência de notícias AP.

Os israelenses alegam que estão atacando militantes e instalações que pertencem a grupos militantes, incluindo as casas de líderes destes grupos. "Dezenas de terroristas" estão entre os mortos, segundo o governo de Israel.

De acordo com o editor da BBC para Oriente Médio Jeremy Bowen, as guerras entre o Hamas e Israel "tendem a acabar em alguma forma de cessar-fogo".

"Os fatores que influenciam o tempo certo para um acordo incluem a quantidade de sangue derramado e o nível de pressão internacional nos dois lados para se chegar a um acordo", afirmou.

No entando, segundo Bowen, parece que conflito na Faixa de Gaza ainda não chegou ao ponto de um acordo.

"Nenhum dos lados ainda está pronto. Este conflito pode precisar ficar pior antes que a pressão para um cessar-fogo seja incontestável", acrescentou.

O conflito entre os dois lados foi reiniciado na semana passada, depois que um adolescente palestino de 16 anos foi sequestrado e morto em Jerusalém.

A polícia suspeita que o crime seja uma vingança contra a morte de três jovens israelenses, que foram sequestrados e mortos na Cisjordânia.

Os jovens teriam sido capturados enquanto faziam uma trilha e seus corpos foram localizados na segunda-feira passada.

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