Queda de avião pode indicar escalada russa no leste da Ucrânia

  • 15 julho 2014
Luhansk (AP) Direito de imagem AP
Image caption Analista da BBC questiona que tipo de resposta pode Ucrânia pode dar

Um avião de transporte militar da Ucrânia foi abatido no leste do país, em meio a combates com rebeldes separatistas pró-russos, segundo autoridades ucranianas.

Eles dizem que o avião An-26, atingido a uma altitude de 6500 metros, foi alvo de "um poderoso míssil" que "provavelmente foi atirado" da Rússia. A tripulação sobreviveu, apontam os relatos.

O analista da BBC News David Stern disse que a acusação de que as forças russas abateram um avião ucraniano pode representar uma reviravolta no conflito. Se a Rússia tiver atingido o avião ucraniano do seu território, trata-se de um ataque de ordem maior.

Ele avalia que, para os ucranianos, não responder levantaria a suspeita de que sua acusação é falsa - ou demonstraria fraqueza da força militar da Ucrânia.

A Rússia não se pronunciou sobre o assunto. A Otan informou que soldados russos se acumulam perto da fronteira com a Ucrânia.

Um oficial da Otan confirmou à BBC que eles tinham observado um aumento significativo do número de soldados russos, chegando a 12 mil.

A Rússia nega apoiar e armar os separatistas e convidou os funcionários da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para monitorar a fronteira com a Ucrânia.

“Mas o que pode fazer Ucrânia - declarar guerra à Rússia?”, questiona David Stern “O ônus da prova está com o governo ucraniano. No entanto, se eles mostrarem de forma convincente que os russos derrubaram o avião, eles também exigirão uma resposta dos aliados ocidentais da Ucrânia”, disse.

Se as autoridades ocidentais não fizerem nada, depois de terem prometido reagir a ataques russos, ele avalia que eles serão visto como traidores.

Apelo

Um comunicado no site do presidente da Ucrânia Petro Poroshenko diz que o An-26 foi abatido em uma "operação anti-terror" na região.

O ministro da defesa ucraniano Valeriy Heletei disse que uma operação de busca e resgate estava em andamento para localizar os tripulantes desaparecidos.

Andriy Lysenko, porta-voz do Conselho de Segurança e Defesa da Ucrânia, mais tarde foi citado pela imprensa ucraniana, dizendo que oito pessoas estavam a bordo do avião.

Em uma mensagem no Facebook, alguns dos participantes da "operação anti-terror" da Ucrânia disseram que sabiam "sobre o destino de dois dos tripulantes" e estavam confirmando informações sobre os demais.

As forças rebeldes - que anteriormente disseram que tinha como alvo a aeronave na região de Luhansk - alegaram que havia capturado a tripulação e estavam os questionando na cidade de Krasnodon, relatos nos meios de comunicação russos dizem.

No mês passado, os rebeldes derrubaram um avião de transporte militar da Ucrânia Il-76, que estava prestes a aterrissar no aeroporto de Luhansk, matando todos os 49 soldados e a tripulação que estava a bordo.

Na manhã desta segunda-feira, a força aérea ucraniana disse ter realizado "cinco ataques aéreos poderosos" na região, em um esforço para acabar com o bloqueio do aeroporto estratégico na cidade controlada pelos rebeldes.

Militares da Ucrânia disseram que o aeroporto tinha sido "desbloqueado" e que o Exército havia retomado várias aldeias.

Alguns ataques aéreos atingiram a cidade na segunda-feira, disse um morador de Luhansk à BBC na segunda-feira.

Enquanto isso, os rebeldes afirmam ter destruído um comboio armado ucraniano perto do aeroporto.

As lutas na área se intensificaram desde o ataque rebelde com foguete perto da fronteira com a Rússia na sexta-feira, matando pelo menos 19 soldados do governo.

O presidente Poroshenko prometeu retaliação ao ataque. Na segunda-feira, ele também disse que os policiais militares russos estavam lutando ao lado dos separatistas - alegação negada pela Rússia.

A tensão aumentou ainda mais no fim de semana, quando a Rússia acusou as forças ucranianas de atacarem o outro lado da fronteira, matando uma pessoa e ferindo outras duas.

Pelo menos 15 civis foram mortos em Luhansk e na região vizinha de Donetsk, no domingo, segundo relatos.

Alemanha e Rússia pediram que Kiev e os rebeldes negociassem diretamente.

E o Reino Unido e os Estados Unidos voltaram a pedir que a Rússia de acalmar a situação no leste da Ucrânia.

O primeiro-ministro David Cameron e o presidente Barack Obama destacaram que a Rússia precisa agir na busca da paz na região ou poderia enfrentar novas sanções.

Rebeldes separatistas têm lutado contra o governo em Kiev desde a declaração da independência em Luhansk e na região vizinha de Donetsk, em abril.

O governo deu início a uma "operação anti-terrorista" em abril para esmagar a rebelião nas regiões orientais.

Acredita-se que mais de mil civis e combatentes morreram nos combates, que se seguiu a anexação da Crimeia à Rússia, em março.

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