Após noite de saques em Buenos Aires, seleção argentina é recebida com festa

Chegada da seleção argentina (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Ao desembarcarem em Buenos Aires, jogadores agradeceram apoio dos torcedores argentinos

Um dia após conquistarem o vice-campeonato da Copa do Mundo, os jogadores da seleção argentina foram recebidos com aplausos e festa no aeroporto internacional de Ezeiza, próximo a Buenos Aires.

Uma multidão esperava os jogadores do lado de fora do aeroporto, carregando bandeiras e cartazes com frases como “Messi, te amo” ou “Mascherano, herói”. Os torcedores então seguiram o ônibus da seleção do aeroporto até o prédio da Associação de Futebol Argentino (AFA), onde o time foi recebido pela presidente Cristina Kirchner.

Na véspera, os argentinos viveram um domingo de esperanças pela vitória, tristeza com a derrota e, como eles mesmos disseram, orgulho pelo empenho dos jogadores.

No fim da noite de domingo, no entanto, a comemoração que ocorria no Obelisco, no centro da cidade, deu lugar a grupos violentos saqueando lojas do local. As forças de segurança foram chamadas, levando a pelo menos três horas de confrontos entre os jovens e a polícia.

Segundo a imprensa local, pelo menos 70 pessoas foram detidas, sendo que algumas delas seriam ligadas aos grupos chamados ‘barras bravas’ (torcedores violentos) de times locais.

As imagens das TVs mostraram estabelecimentos completamente saqueados, enquanto um comerciante dizia ter ficado chocado ao ver de casa, pela televisão, como levavam os objetos de sua loja.

Nesta segunda-feira, Buenos Aires amanheceu dividida entre os torcedores eufóricos que foram receber a seleção no aeroporto e os que decidiram voltar à vida normal. “Que dia doloroso o de ontem”, disse um senhor que conversava com outro morador em um caixa eletrônico no bairro da Recoleta. “Fomos da festa à tristeza.”

As emissoras de televisão - como o canal Telefé, o Canal 13 e o canal estatal 7 - continuam usando palavras como “orgulho” e “gracias” cada vez que mostram alguma reportagem sobre a seleção.

Agradecimento

Os jogadores desembarcaram cabisbaixos e poucos quiseram falar com a repórter do canal 7 - única autorizada a acompanhar o desembarque do time. “Obrigado, obrigado a todos os argentinos”, disse Higuaín.

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Image caption Em encontro com a presidente, Messi disse que espera dar mais alegrias ao país

“Gostaríamos que tivesse sido de outra forma”, disse Mascherano.

Logo depois, a presidente Cristina Kirchner os recebeu no prédio da AFA e abraçou cada um deles. “Força, força. Vocês estiveram muito bem”, dizia ela aos jogadores. A presidente sugeriu que Higuaín realizasse uma ressonância magnética devido ao golpe que teria levado durante a partida contra a Alemanha.

Todos eles estavam sérios e riram raramente durante o tempo em que ficaram na cerimônia com a presidente, que ia passando o microfone para que alguns deles falassem aos argentinos.

Mas os jogadores foram lacônicos. “Gostaríamos de ter trazido a Copa. Mas não foi possível. Mas nos esforçamos ao máximo. Saímos daqui e não tinham muita fé na gente, os torcedores e a imprensa. Fomos um grupo unido e esperamos dar mais alegrias ao país”, disse Messi.

O goleiro Sergio Romero afirmou que eles atuaram como “leões” e que “deixaram todo o esforço no campo”.

Orgulho

Logo depois do encontro com a presidente, a expectativa era a de que os jogadores seguissem de ônibus até o Obelisco onde foi montado um palco para que pudessem falar aos argentinos. Mais tarde a AFA anunciou que a ideia tinha sido cancelada.

A seleção argentina começou na Copa do Mundo do Brasil sem gerar muita euforia entre os argentinos, como muitos deles dizem agora. Porém, os jornais refletem nesta segunda-feira, o que os torcedores passaram a pensar da seleção. “Lutou até o final”, publicou o jornal Clarín. “Sem Copa, com orgulho”, destacou o jornal La Nación.

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