Justiça egípcia condena sete homens à prisão perpétua por violência sexual

Protesto contra assédio sexual no Cairo em 14 de junho de 2014 | Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Ativistas de direitos das mulheres reclamam de inação das autoridades egípcias contra abuso

Um tribunal egípcio condenou sete homens à prisão perpétua e dois outros a 20 anos de prisão por violência sexual contra mulheres, cometida no mês passado.

As mulheres foram atacadas no Cairo durante celebrações após a eleição do presidente Abdul Fattah Al-Sisi.

Após o episódio, Al-Sisi pediu que as autoridades cumprissem uma nova lei, que pela primeira vez torna a violência sexual um crime.

No passado, grupos defensores de direitos das mulheres acusaram autoridades egípcias de evitarem o assunto.

Um estudo da ONU divulgado em 2013 diz que nove entre dez mulheres egípcias sofreram algum tipo de violência sexual, desde casos mais corriqueiros de assédio até estupro.

'Medidas severas'

Pelo menos nove incidentes de assédio e estupros coletivos foram registrados na praça Tahrir, no centro do Cairo, e em seus arredores entre os dias 3 e 9 de junho, enquanto os partidários de Al-Sisi comemoravam sua eleição e sua posse.

Direito de imagem AFP
Image caption Caso de mulher que sofreu violência sexual na praça Tahrir causou comoção internacional

Os nove homens condenados na quarta-feira foram acusados em quatro casos diferentes.

Não está claro a princípio se eles incluem o ataque sofrido por uma mulher de 42 anos, que o presidente visitou no hospital em meio a uma comoção internacional.

Durante a celebração na praça Tahrir em 3 de junho, onde estava com sua filha, a mulher teve as roupas rasgadas por um grupo. Ela tropeçou em uma vasilha grande com água quente e teve diversas queimaduras graves antes de cair no chão e sofrer abuso sexual.

Um vídeo com imagens fortes foi divulgado pela internet mostrando a vítima nua e coberta de sangue, sendo levada para uma ambulância por policiais.

O presidente pediu desculpas à mulher e prometeu que o Estado "não aceitaria que tais incidentes aconteçam no futuro"

"Tomaremos medidas severas e seremos fortes diante de qualquer abusador", disse o ex-chefe das forças armadas.

Os grupos de defesa de direitos das mulheres comemoraram a nova lei que criminaliza o assédio sexual, mas pediram por uma lei mais abrangente sobre a violência contra as mulheres e uma estratégia nacional para implementá-la.

De acordo com estes grupos, pelo menos 500 mulheres foram estupradas ou abusadas sexualmente por grupos durante o período da deposição de Hosni Mubarak em 2011 e o início de 2014. Milhares de outras mulheres foram vítimas de assédio sexual.

Notícias relacionadas