Crise na Ucrânia: EUA e UE ampliam sanções contra Rússia

  • 16 julho 2014
Um militante pró-Rússia olha para uma casa destruída em Snizhne, leste da Ucrânia (AFP)
As tensões intensificaram no leste da Ucrânia nos últimos dias

Os Estados Unidos e a União Europeia aprovaram nesta quarta-feira a ampliação do pacote de sanções contra a Rússia, alegando que Moscou vem apoiando rebeldes separatistas no leste da Ucrânia.

As novas medidas têm como alvo os setores bancários, de defesa e de energia, e afetam a gigante de petróleo Rosneft, várias empresas de armas e quatro funcionários do alto escalão do país.

Em Bruxelas, os líderes da União Europeia suspenderam a cooperação financeira com a Rússia por meio do BEI (Banco Europeu de Investimento) e do BERD (Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento).

Os Estados Unidos e a União Europeia alegam que ampliaram as restrições financeiras por enxergar interferência russa nos movimentos separatistas no leste da Ucrânia. Moscou, no entanto, nega que esteja apoiando os rebeldes.

Segundo a correspondente da BBC em Washington Rajini Vaidyanathan, a nova ofensiva americana deve alcançar o impacto desejado porque afeta o presidente Putin "onde dói", e pode acarretar na redução de suas ações na Ucrânia.

Na terça-feira, o Pentágono disse ter observado um aumento do número de soldados russos na fronteira com a Ucrânia. Até 12 mil militares voltaram para a região, o que fortalece a suposição de que a Rússia ainda está apoiando o movimento separatista no país.

A Casa Branca diz que estas novas medidas são amplas, flexíveis e potentes. Segundo a jornalista da BBC na região, a inclusão da maior empresa de petróleo da Rússia é a que mais surpreende no pacote das novas medidas.

Já a União Europeia alegou que a ampliação das sanções visa a atingir o maior número de entidades que "representam uma ameaça à integridade da Ucrânia".

Intensos combates

A nova rodada de sanções dos Estados Unidos anunciadas pelo Tesouro dos EUA amplia significativamente o conjunto de medidas punitivas promovidas por Washington, que até então se limitavam a indivíduos da Rússia e da Ucrânia e a uma série de empresas.

Dessa vez, as restrições incluem a empresa de petróleo gigante Rosneft e dois grandes bancos - Gazprombank e Vnesheconombank.

O fabricante de armas Kalashnikov Concern também está na lista.

Duas entidades autoproclamadas rebeldes no leste da Ucrânia – a República Popular de Donetsk e a República Popular de Luhansk - também são alvo das sanções.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em Washington que as novas medidas foram impostas porque a Rússia não cumpriu com suas promessas de apaziguar a crise na Ucrânia.

"Essas sanções são significativas, mas também são limitadas, projetadas para ter o máximo de impacto sobre a Rússia, limitando qualquer impacto em empresas americanas e de nossos aliados", disse. Obama também destacou o apoio dos EUA para a Ucrânia, dizendo que "os ucranianos merecem construir seus próprios destinos." Em Bruxelas, os líderes da União Europeia concordaram em reforçar as suas próprias sanções contra a Rússia. Eles disseram que a lista de "entidades e pessoas" afetadas seria anunciada até o final de julho.

A Rússia reagiu à decisão dos Estados Unidos. O vice-chanceler do país, Sergei Ryabkov, afirmou que Moscou irá tomar medidas "que serão sentidas muito dolorosamente em Washington", informou a agência de notícias estatal Interfax.

Enquanto isso, na própria Ucrânia, intensos combates continuam sendo registrados no leste do país.

Autoridades ucranianas disseram que 11 soldados morreram nas últimas 24 horas.

O número de vítimas separatistas pró-Rússia não foi divulgado.

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